Temporada de furacões de 2019 no Atlântico chega ao fim

No dia 30 de novembro foi encerrada oficialmente a temporada de furacões do Atlântico Norte. Essa temporada foi mais ativa que o normal e apresentou uma atividade de ciclones tropicais acima do previsto, o principal deles foi o grande furacão Dorian.

Paola Bueno Paola Bueno 03 Dez. 2019 - 10:42 UTC
Imagem do furacão Dorian, o mais intenso da temporada de 2019, no dia 1 de setembro sobre as Bahamas. Imagem: NOAA/RAMMB.

Nesse sábado (30/11) foi encerrada oficialmente a temporada de furacões do Atlântico Norte de 2019. A temporada foi iniciada pela tempestade subtropical Andreas no dia 20 de maio, 11 dias antes da data oficial de início (01 de junho), e foi encerrada no dia 24 de novembro, com o enfraquecimento da tempestade tropical Sebastien sobre os Açores.

A temporada de 2019 registrou 18 tempestades nomeadas, incluindo 6 furacões, nos quais 3 atingiram categorias intensas (categoria 3, 4 ou 5), mostrando uma atividade de ciclones acima da média, já que uma temporada média costuma apresentar 12 tempestades nomeadas, 6 furacões e 3 de categoria intensa. Isso faz com que essa seja a quarta temporada consecutiva de atividade de furacões acima do normal no Atlântico Norte. O único outro período registrado com quatro temporadas consecutivas acima do normal foi 1998 a 2001.

A maioria das previsões feitas antes do início da temporada subestimou a atividade de tempestades tropicais, isso porque acreditava-se que o El Niño persistira durante toda a temporada, porém ele se enfraqueceu rapidamente em julho, criando condições verticais de cisalhamento do vento mais favoráveis a formação de furacões do que o inicialmente previsto. Além disso, o Atlântico tropical esteve um pouco mais quente que o normal durante o pico da temporada. Dessa forma, as temperaturas da superfície do mar mais quentes forneceram mais combustível para o desenvolvimento dos ciclones tropicais.

Dorian, Humberto e Lorenzo foram os furacões mais intensos desse ano, mas com certeza o furacão mais destrutivo e brutal foi Dorian, que devastou Bahamas, além de impactar significativamente o sudeste dos Estados Unidos e as províncias do Atlântico do Canadá. Dorian ficou empatado com outros três furacões - o furacão do dia do trabalho de 1935, o furacão Gilbert de 1988 e o furacão Wilma de 2005 – como o segundo furacão mais forte já registrado no Atlântico em termos de vento, já que no seu auge os ventos sustentados na parede do olho do furacão chegaram a quase 300 km/h.

Lorenzo também foi um furacão memorável dessa temporada, tornando-se a tempestade de categoria 5 do Atlântico mais a leste já registrada (por volta de 45 ° oeste), quebrando o antigo recorde do furacão Hugo, a 54.6 ° oeste. Além de seu posicionamento, Lorenzo também mostrou uma rápida intensificação, passando da categoria 3 para categoria 5 em apenas 12 horas, pegando os modelos e meteorologistas de surpresa.

Outros fatos interessantes fazem da temporada de furacões de 2019 uma temporada memorável, algumas delas são:

  • A temporada bateu um recorde de número de tempestades tropicais de curta duração. 7 das 18 tempestades nomeadas que se formaram duraram um dia ou menos;
  • A tempestade tropical Imelda tornou-se o quinto ciclone tropical mais chuvoso da história continental dos EUA;
  • Nenhuma tempestade nomeada se formou entre 12 de julho e 20 de agosto no Atlântico, é a primeira vez que isso ocorre desde 1982. Já entre o período de 21 de agosto e 23 de setembro, 10 tempestades nomeadas se formaram no Atlântico;
  • 5 ciclones tropicais se formaram no Golfo do México, registrando um recorde de maior numero de tempestades formadas nessa região, empatando com os anos de 2003 e 1957. Três deles – Barry, Imelda e Nestor - atingiram os Estados Unidos.
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