A passagem do Furacão Barry pelos Estados Unidos

O Furacão Barry atingiu a costa sul dos Estados Unidos como um furacão de categoria 1 neste último sábado (13/07). Apesar de agora o sistema já estar enfraquecido, ele continuará provocando inundações e chuvas torrenciais no interior do país.

Paola Bueno Paola Bueno 15 Jul. 2019 - 19:21 UTC
Tempestade Tropical Barry, vista pelo satélite GOES Leste no dia 12 de julho de 2019, antes de se tornar furacão. Fonte: NOAA Satellites.

O furacão Barry foi a segunda tempestade tropical nomeada e o primeiro furacão da atual temporada de furacões do Atlântico Norte! Barry passou de uma tempestade tropical para um furacão de categoria 1 antes de atingir o estado americano de Louisiana, colocando em teste o sistema de defesas contra enchentes construído após o furacão Katrina, que matou cerca de 1800 pessoas em 2005!

Barry se originou de um vórtice convectivo de mesoescala sobre o Meio-Oeste dos Estados Unidos no começo de julho. Esse distúrbio foi se deslocando para sudeste até se desenvolver num sistema de baixa pressão na porção nordeste do Golfo do México no dia 10. No dia seguinte, o sistema atingiu a escala de tempestade tropical recebendo o seu nome Barry e se tornando a segunda tempestade nomeada do ano, após o Andreas.

Barry foi se deslocando para oeste, próximo à costa, e ganhou força, até que no sábado (13/07) se tornou um furacão de categoria 1, o primeiro da temporada e o 4° furacão a atingir a costa de Louisiana num mês de julho, com ventos da ordem de 120km/h.

Porém, assim que atingiu a costa em Intracoastal City, o furacão Barry perdeu força e voltou a categoria de tempestade tropical. Mesmo assim, antes de atingir o continente, Barry gerou grandes quantidades de chuva, ventos fortes e ressaca ao longo da costa. 150 mil pessoas ficaram sem energia no sábado e várias tiveram que ser resgatadas de regiões que ficaram inundadas.

Devemos lembrar que Barry atingiu o estado de Louisiana em um momento em que a população ainda tenta se recuperar de meses de grandes inundações e cheias dos rios, portanto muitos diques de contenção já estavam próximos de sua capacidade máxima. Vários diques acabaram transbordando após o grande volume de chuvas. Em diversas cidades ao longo de Louisiana, Mississípi e Alabama, os acumulados de chuva entre sexta-feira e domingo variaram entre 126 mm até 253 mm!

No domingo à tarde o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês) rebaixou o sistema para uma depressão tropical, durante sua trajetória para norte, porém manteve o alerta máximo de inundações e chuvas intensas. Nessa segunda-feira, entre as 2 e 4 horas da manhã, hora local, a cidade de Vidalia, Louisiana, recebeu quase 50 mm de chuva.

Mesmo enfraquecido, Barry continuará a provocar inundações e chuvas torrenciais enquanto se desloca como um sistema de baixa pressão pelo interior do país ao longo dessa semana. Ainda hoje são esperados acumulados de 100 a 150 mm na porção central de Louisiana e sudoeste do Mississípi. Partes de Arkansas, Missouri, Tennessee e Kentucky também receberão acumulados da ordem de 50 a 100 mm de chuva.

Apesar das consequências geradas, um cenário muito pior que esse era previsto. Em Nova Orleans, o rio Mississípi subiu na noite de sexta-feira a pouco menos de 5.18 metros, muito abaixo da previsão anterior de 6.1 metros, que seria próxima a altura dos diques da cidade. Se os diques transbordassem, a população de Nova Orleans teria que lidar com inundações catastróficas similares as de 2005.

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