Pesquisadores desenvolvem fotocatalisador capaz de quebrar produtos químicos "eternos"
Pesquisadores desenvolveram um catalisador que utiliza a luz solar para degradar PFAS, uma classe de substâncias químicas incrivelmente estáveis apelidadas de "químicos eternos".

As substâncias polifluoroalquiladas (PFAS) são uma classe de substâncias químicas incrivelmente estáveis; elas não se decompõem facilmente no meio ambiente, o que significa que se acumulam.
Uma equipe internacional de cientistas desenvolveu um protótipo de catalisador que utiliza a luz solar para decompor essas substâncias químicas. A equipe espera que a tecnologia possa ser ampliada e usada para detectar ou remover PFAS do meio ambiente.
O que são PFAS?
As substâncias polifluoroalquiladas são uma classe de produtos químicos repelentes de manchas e água que têm sido usados em uma ampla gama de produtos, como panelas antiaderentes, espumas de combate a incêndio e cosméticos. Elas são incrivelmente estáveis quimicamente, portanto não se degradam facilmente. Isso significa que podem se acumular no meio ambiente, nos sistemas hídricos, na cadeia alimentar e no corpo humano, mas os efeitos a longo prazo que elas têm sobre a saúde humana e o meio ambiente ainda não estão claros.
A Dra. Fernanda C. O. L. Martins, autora principal do estudo e que trabalhou no projeto na Universidade de Bath como parte de seus estudos de doutorado da Universidade de São Paulo (USP), disse: “Os PFAS são usados em muitos produtos diferentes, desde roupas impermeáveis até batons, mas se acumulam no corpo e no meio ambiente ao longo do tempo, com efeitos tóxicos”.
O catalisador
Os pesquisadores desenvolveram um protótipo de fotocatalisador de fácil fabricação, baseado em nitrito de carbono combinado com um polímero microporoso rígido que ajuda a ligar PFAS ao catalisador.
O catalisador utiliza luz para decompor estruturalmente o PFAS em dióxido de carbono e fluoreto, sendo os produtos exatos dependentes do tipo de fotocatalisador e dos revestimentos microporosos ou ambientes de reação.
Martins explicou: “Nosso projeto combinou um catalisador à base de carbono de fácil fabricação com um polímero chamado PIM-1 para tornar a decomposição do PFAS mais eficiente, especialmente em pH neutro, que seria encontrado naturalmente no meio ambiente”.

A equipe espera que a tecnologia possa ser usada em um sensor capaz de detectar o flúor liberado durante a decomposição dos PFAS e está buscando parceiros industriais para ampliar e otimizar a tecnologia.
O professor Frank Marken, do Instituto de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas (ISCC) da Universidade de Bath, afirmou: “Atualmente, é muito difícil detectar PFAS, o que exige equipamentos caros em um laboratório especializado. Esperamos que nossa tecnologia possa, no futuro, ser usada em um sensor portátil simples que possa ser utilizado fora do laboratório, por exemplo, para detectar onde há níveis mais altos de PFAS no meio ambiente”.
Referência da notícia
Intrinsically microporous polymer (PIM-1) enhanced degradation of heptadecafluoro-1-nonanol at graphitic carbon nitride (g-C3N4). 02 de janeiro, 2026. Martins, et al.