A histórica temporada de furacões de 2020 no Atlântico Norte

A temporada de furacões do Atlântico Norte desse ano finalmente acabou! Essa temporada entrou para a história como a mais ativa dos registros, com um total de 30 tempestades nomeadas! Mas esse não foi o único recorde estabelecido nessa temporada!

Furacão Iota
Furacão Iota foi o mais intenso da temporada de 2020, atingindo categoria 5 em novembro. Imagem: RAMMB/CIRA.

A histórica temporada de furacões do Atlântico Norte de 2020 finalmente acabou no dia 30 de novembro! A temporada desse ano começou um pouco antes de seu início oficial (1º de junho), com a formação da tempestade tropical Arthur, no dia 14 de maio, e 10 dias depois a tempestade Bertha. E terminou com o poderoso furacão Iota, que se dissipou no dia 18 de novembro.

Pela segunda vez na história dos registros, a temporada desse ano esgotou sua lista pré-determinada de nomes, composta por 21 nomes do alfabeto inglês, em meados de setembro, quando a tempestade tropical Wilfred recebeu o último nome. Depois disso, o alfabeto grego passou a ser usado pela primeira vez desde 2005.

Com 30 tempestades nomeadas, mais que o dobro de uma temporada média, a temporada desse ano quebrou o recorde anterior da temporada de 2005. Das 30 tempestades, 13 tornaram-se furacões e 6 deles evoluíram para grandes furacões (categoria 3, 4 ou 5). Quase todas as previsões feitas antes do início da temporada indicavam uma atividade de ciclones tropicais acima da média, mas nenhuma chegou perto do número real.

Essa temporada foi tão frenética que nunca registrou um período de duas semanas consecutivas sem pelo menos uma tempestade ativa. Em determinado momento no mês de setembro, 5 tempestades estavam ativas ao mesmo tempo no oceano Atlântico Norte- Paulette, Rene, Sally, Teddy e Vicky.

Um fato que chamou a atenção foi a velocidade de intensificação de várias tempestades. 10 dos 13 furacões sofreram uma intensificação rápida, igualando ao recorde estabelecido em 1995. A intensificação rápida é caracterizada por um aumento da velocidade máxima do vento de pelo menos 56 km/h num período de 24 horas ou menos.

Embora a temporada de 2020 tenha sido extremamente ativa, quando observamos a força cumulativa da temporada, dada pelo Índice de Energia Ciclônica Acumulado (ACE, sigla em inglês), o cenário é bem diferente. O ACE caracteriza a intensidade e longevidade de todas as tempestades ocorridas no ano. Embora 2020 tenha produzido mais tempestades que qualquer outro ano, o ACE gerado pelas 30 tempestades foi desproporcionalmente baixo.

A temporada de 2020 acabou ficando em 13º lugar em ACE gerado em um ano. Isso mostra que houve muitas tempestades fracas e de curta duração em 2020. A temporada de 2005 foi uma das que registraram um ACE muito alto, já que naquele ano mais furacões intensos se formaram, sendo cinco deles de categoria 5. Já em 2020 apenas um furacão chegou a categoria 5, o furacão Iota.

Claro que nem todas as tempestades desse ano foram fracas, algumas foram bem intensas e devastadoras. Algumas das mais memoráveis foram: Teddy, Eta, Paulette, Delta, Epsilon, Laura e Iota.

Das 30 tempestades, 12 atingiram a costa dos Estados Unidos, um novo recorde! Mas de todas essas, o furacão Laura foi o mais devastador, causando a morte de 42 pessoas e um prejuízo de 14 bilhões de dólares. Esse foi o furacão mais intenso da história a atingir o estado americano da Louisiana, com ventos de 240 km/h.

Eta e Iota atingiram a América Central num intervalo de apenas 13 dias em novembro, deixando centenas de mortos e destruição generalizada. Ambos atingiram quase que o mesmo local na costa da Nicarágua como furacões de categoria 4, causando enchentes severas, ventos extremos e tempestades não só na Nicarágua, mas também em outros países da América Central e Caribe.

Por enquanto, podemos inferir que as principais causas desse ano muito ativo são: as altas temperaturas da superfície do mar no Atlântico Norte e o desenvolvimento da fase negativa do fenômeno climático El Niño Oscilação Sul (ENOS), a La Niña.