Semana de intensa atividade ciclônica no Atlântico

A semana foi marcada por intensa atividade ciclônica no Atlântico. Aqui em nossa costa, tivemos a evolução da tempestade subtropical Kurumí, enquanto no Atlântico Norte um ciclone bomba ocupa quase todo setor norte da bacia oceânica.

Carolina Barnez Carolina Barnez 26 Jan. 2020 - 13:35 UTC
Tempestade Subtropical Kurumí
A tempestade subtropical Kurumí trouxe ventos fortes, agitação marítima e chuva, principalmente à costa sudeste do Brasil.

Essa semana foi marcada por intensa atividade ciclônica na bacia oceânica do Atlântico. No Atlântico Sul, na nossa costa, presenciamos a evolução do ciclone subtropical Kurumí, que trouxe tempo severo ao litoral sudeste e agitação marítima no litoral sudeste e sul do país. O Atlântico Norte se mostra mais ativo do nunca com um ciclone extratropical bomba, com estrutura tão organizada e dimensões tão monstruosas, que impressiona nas imagens de satélite.

Tempestade subtropical Kurumí

Kurumí se desenvolveu como uma baixa pressão na segunda-feira (20) próximo a costa da Bahia e Espírito Santo, nos resquícios de uma frente fria proveniente de um ciclone extratropical que se deslocava para sudeste. A instabilidade frontal aliada à convergência de umidade são mecanismos importantes para o desenvolvimento de ciclones nesta região. Somente na quinta-feira o sistema foi classificado como depressão subtropical.

A Marinha do Brasil, responsável pelo monitoramento meteorológico e oceanográfico desta porção do Atlântico Sul, reclassificou o sistema como tempestade subtropical quando os ventos observados ultrapassaram 63 km/h, o que ocorreu na sexta (24). A partir de então, o ciclone subtropical foi nomeado Kurumí, o 9º nome da lista oficial estabelecida pela Marinha. Esta lista de nomes está vigente deste 2011, com a nomeação da tempestade subtropical Arani. Veja a lista de nomes aqui.

Já no ontem (25), Kurumí perdeu intensidade e o status de tempestade subtropical. Conforme se desloca para mais para sul/sudeste, o ciclone entra em um ambiente com maior cisalhamento do vento, perdendendo as características subtropicais e ganhando características de um ciclone extratropical.

Kurumí gerou muita agitação marítima do Espírito Santos até Santa Catarina e trouxe tempo instável para a costa sudeste do Brasil, com chuvas e ventos fortes. Além disso, o ciclone subtropical auxiliou o estabelecimento da primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), associada a chuvas volumosas que afetaram vários estados, mas principalmente Minas Gerais e Espírito Santo.

Ciclone bomba no Atlântico Norte

Enquanto isso, no Atlântico Norte, a atividade ciclônica também chama a atenção. No meio da semana dois ciclones extratropicais se formaram em sequência. Um deles, apresentou desenvolvimento rápido, com a presença de "sting jet", como Brendan, na semana passada. A análise feita na sexta (24) mostrou um decaimento da pressão central de 43 hPa em 24h, o classificando como ciclone bomba. As imagens de satélite são impressionantes e mostravam uma estrutura clássica de ciclones de rápido desenvolvimento.

Agora o sistema extratropical domina agora a maior parte do Atlântico Norte, e é tão grande que enquanto seu centro esta localizado à oeste da Islândia, sua frente fria principal está se propagando pela Europa Ocidental. Os intensos vento gerados por esse sistema vão trazer grande agitação marítima para Irlanda e Escócia na terça. O sistema deverá também trazer o ar frio do Ártico para Irlanda e Reino Unido no começo da semana que vem, com chances de neve em algumas localidades.

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