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São Paulo sob ameaça de uma nova crise hídrica?

Apesar das chuvas observadas nos últimos meses, os reservatórios da maior região metropolitana do Brasil, a Região Metropolitana de São Paulo, ainda estão na mira de uma nova crise hídrica, principalmente o grande Sistema Cantareira.

O sistema Cantareira ainda vive sob a sombra da crise hídrica. Fonte: Alesp.

Em plena primavera já estamos observando as chuvas retornarem em boa parte do Brasil, isso acaba nos dando a falsa segurança de que já estamos livres do antigo fantasma da crise hídrica. Entretanto, diversas partes do Brasil já estão próximas de vivenciar esse mal novamente, como a grande região Metropolitana de São Paulo.

O estado de São Paulo, apesar de estar observando uma maior quantidade de chuvas nos meses de agosto, setembro e outubro, ainda não se recuperou da cicatriz deixada pela crise hídrica de 2014. O maior sistema de abastecimento, o sistema Cantareira, opera atualmente com um nível de 34.7%, operando em estado de alerta desde o final do mês de julho. Esse nível é pior que o observado nesse mesmo período do ano passado, de 47.8%, e um pouco pior que o mesmo período em 2013, pré-crise de 2014, quando o nível era de 38.1%.

O último verão, outono e parte do inverno apresentaram acumulados de chuva abaixo do normal esperado, o que fez com que os níveis de todos os reservatórios reduzissem drasticamente. Com o retorno das chuvas, os níveis desses reservatórios passam a se estabilizar e a aumentar gradativamente, conforme o solo vai se recuperando. Entretanto, essa melhora é mais demorada para o Cantareira, já que sua extensão territorial é bem maior. O Sistema Cantareira possui uma área de drenagem de 2280 km², enquanto o sistema Alto do Tietê, que é o segundo maior, possui uma área de 919 km², e o sistema Guarapiranga, terceiro maior, 632 km².

Níveis de armazenamento registrados pelos reservatórios de São Paulo no dia 22 de outubro de 2010 a 2018. Fonte: Sabesp.

Então, para o nível do Cantareira aumentar são necessários vários dias de chuvas constantes que cubram uma grande extensão territorial, como aquelas geradas pela passagem de frentes frias e da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) ou Zona de Convergência de Umidade (ZCOU). As chuvas isoladas que costumam ocorrer na primavera e verão não são o suficiente para melhorar as condições desse grande sistema.

Antes da crise de 2014 o Sistema Cantareira chegou atender 9 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, mas desde a última crise passou a abastecer 7.4 milhões. Além disso, desde 2012 o sistema não opera com um nível alto, a última vez que o sistema esteve com um nível superior a 70% foi em agosto de 2012, e a última vez que esteve acima de 80% foi em agosto de 2011. De acordo com especialistas, a situação tem piorado devido a redução das chuvas na região que vem ocorrendo nos últimos anos e a má gestão pública dos reservatórios.

O que esperar para os próximos meses?

Com as atuais projeções de 75% de probabilidade de formação de um novo El Niño ainda nesse ano, as preocupações em relação à situação de São Paulo aumentam. O estado fica em uma região difícil de inferir os impactos do El Niño, podendo ter chuvas abaixo ou acima da média. Porém, o que as previsões indicam é que o próximo período chuvoso ficará dentro da média, o que é bom, mas ainda não traz uma segurança para o próximo ano.