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O que esperar do El Niño?

Previsões recentes mostram que provavelmente teremos um novo evento de El Niño consolidado ainda neste ano. Portanto, é importante sabermos quais são os impactos desse fenômeno no clima do Brasil e nos prepararmos para os próximos meses de primavera e verão.

Paola Bueno Paola Bueno 18 Set. 2018 - 11:13 UTC
Anomalias quentes na temperatura de superfície do mar no Pacifico Equatorial do último mês indicam a formação do El Niño. Fonte:Climate.gov/NOAA.

De acordo com o relatório lançado dia 10 de setembro pela Organização Meteorológica Mundial, há uma probabilidade de 70% da formação de um evento de El Niño (fase quente do El Niño-Oscilação Sul) no último trimestre desse ano.

Desde abril estamos observando condições de neutralidade no oceano Pacífico Equatorial (nem El Niño e nem La Niña). Porém, nas últimas semanas, águas mais quentes têm persistido em áreas do Pacífico Equatorial, principalmente no Pacífico Oeste, onde também já é possível observar uma resposta da atmosfera a essas anomalias, através do enfraquecimento dos ventos alísios (ventos que sopram de leste na região equatorial). Essa resposta da atmosfera é um indicativo do possível estabelecimento do El Niño.

As previsões indicam que as anomalias quentes de temperatura da superfície do mar fiquem entorno de 0.6 a 1.2°C acima da média, o que indica que provavelmente esse próximo evento seja de fraca ou moderada intensidade. É muito pouco provável que tenhamos um El Niño forte como o de 2015. Mas o que esperar dos impactos desse El Niño nas condições do tempo no Brasil?

Impactos do El Niño no Brasil

Durante o El Niño, o enfraquecimento dos ventos alísios e o predomínio de águas mais quentes no Pacífico Central e Leste fazem com que a área de chuva convectiva, que normalmente fica posicionada no Pacífico Oeste, se desloque para o Pacífico Central. Esse deslocamento provoca mudanças na célula de circulação atmosférica equatorial chamada de célula de Walker. Essas alterações fazem com que uma região de movimentos de ar subsidente (de cima para baixo) atue sobre o norte da América do Sul, inibindo a formação de chuvas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Enquanto isso, na região Sul do Brasil são registradas chuvas mais abundantes, devido a alterações no posicionamento e intensidade das correntes de jato em altos níveis.

Impactos globais associados ao El Niño durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Fonte: PMEL/NOAA.

Para as regiões Centro-Oeste e Sudeste, os impactos associados ao El Niño são mais difíceis de ser definidos, por estarem situadas entre as duas regiões de regimes opostos de precipitação. Porém, estudos indicam que durante anos de El Niño as temperaturas tendem a ser mais elevadas nessas regiões e existem evidências de que o El Niño afeta o posicionamento e intensidade da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), principal sistema que gera chuvas durante o verão. Durante anos de El Niño as ZCAS têm uma atividade convectiva menos intensa sobre o continente e mais intensa sobre o oceano, o que acaba desfavorecendo a chuva sobre o interior do país.

Porém, prever os impactos do El Niño não é tão trivial quanto parece. Diversos estudos mostraram que existem diversos tipos de El Niño, e cada tipo está associado a diferentes efeitos no clima. Por exemplo, quando o El Niño é mais localizado no Pacífico leste (El Niño Canônico) os regimes de precipitação opostas entre o norte e sul do Brasil é mais acentuada comparada ao evento de El Niño centrado no Pacífico Central (El Niño Modoki), que será tratado no próximo artigo.

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