O pico da temporada de furacões do Atlântico Norte

É oficial, dia 10 de setembro marca o pico da temporada de furacões do Atlântico Norte! A combinação das condições dinâmicas e termodinâmicas ideias da atmosfera e oceano desse período facilitam a formação e rápida intensificação dos sistemas tropicais.

Paola Bueno Paola Bueno 10 Set. 2019 - 11:37 UTC
Ciclones e distúrbios tropicais, incluindo o furacão Dorian e as tempestades tropicais Fernand e Gabrielle, registrados no dia 04/09 sobre o Atlântico Norte. Fonte: NOAA.

O dia 10 de setembro marca oficialmente o pico da temporada de furacões do Atlântico Norte, esse é o dia em que provavelmente encontraremos algum ciclone tropical em algum lugar do Atlântico Norte, estatisticamente. A temporada se inicia em 1° de junho e termina em 30 de novembro, período onde se concentra 97% da atividade tropical, mas é a partir do meio de agosto até o fim de setembro que o ápice de sua atividade ocorre.

Durante as oito semanas entorno dessa data concentra-se 78% dos dias de tempestades tropicais, 87% dos dias de furacões de categoria baixa (categorias 1 e 2 de acordo com a escala Saffir-Simpson) e 96% dos dias de furacões de categoria intensa (categorias 3, 4 e 5), de acordo com a climatologia.

Mas por que o pico da temporada ocorre nesse período? Durante os 6 meses da temporada, ondas tropicais partem da costa da África, aproximadamente a cada três dia, e viajam pelo oceano Atlântico Tropical Norte. Esses distúrbios tropicais com pequenos núcleos de tempestades não muito organizadas podem ou não se desenvolver para sistemas mais complexos e organizados, como tempestades tropicais e furacões, de acordo com as condições oceânicas e atmosféricas que encontrarem pelo caminho.

O cisalhamento do vento, que quando intenso pode romper os distúrbios antes que se fortaleçam, é bem intenso em maio e vai enfraquecendo durante junho e julho, atingindo seu mínimo de intensidade no final de agosto. Além do fraco cisalhamento do vento, entre o final de agosto até meados de setembro a temperatura do oceano está bem aquecida, pois o oceano vai se aquecendo ao longo do período de verão boreal, dando suporte para a intensificação da convecção desses distúrbios. Portanto, a combinação do fraco cisalhamento do vento e as altas temperaturas do oceano contribuem para esse pico de atividade de furacões.

Alguns dos mais memoráveis e impactantes furacões da história ocorreram entre setembro e outubro, como o furacão Michael em outubro de 2018, o furacão Maria em setembro de 2017, o furacão Sandy em outubro de 2012 e, nesse ano, o furacão Dorian!

O número de furacões cai drasticamente entre o final de outro e o mês de novembro, já que à medida que as temperaturas caem no outono, o cisalhamento vertical do vento aumenta e a temperatura do oceano diminui.

Mais atividades tropicais à vista

Dorian, agora classificado como ciclone pós-tropical, não representa uma ameaça ao continente norte americano, após sua passagem pelo Canadá. Além de Dorian, no meio do Atlântico Norte se encontra ativa a tempestade tropical Gabrielle, que pode se tornar um furacão nessa semana, mas também não representa uma ameaça a América do Norte pois segue uma trajetória para nordeste.

Duas áreas de baixa pressão fracas estão sendo monitorados no momento, ambas com chances de se desenvolverem nos próximos 5 dias. Uma está associada a uma onda tropical vinda da costa da África, localizada a cerca de 2000 km das Pequenas Antilhas, apresentando 30% de chance de se desenvolver durante sua trajetória para oeste em direção ao Caribe. A outra está a norte da República Dominicana, com uma chance de 20% de se desenvolver nos próximos 5 dias.

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