Avaliação ambiental revela que a poluição do ar no Brasil ultrapassa os limites recomendados pela OMS

Levantamento detalha uma alta preocupante de compostos tóxicos nas diferentes regiões brasileiras, evidenciando que o ozônio subiu em média 11% das medições, enquanto a tendência de aumento do monóxido de carbono chegou a 17% em estados como o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco.

Estados do sudeste e nordeste registram aumentos significativos na concentração de poluentes durante o ano. Foto: Adobe Stock
Estados do sudeste e nordeste registram aumentos significativos na concentração de poluentes durante o ano. Foto: Adobe Stock

A qualidade do ar respirado pelos brasileiros apresenta um quadro preocupante, com a presença de diversos poluentes atmosféricos superando o teto estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa constatação integra o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Pela primeira vez, a análise consolidou as informações aplicando os novos parâmetros definidos por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), atualizando as regras de transição vigentes no país. Diante desse cenário analítico, os técnicos observaram tendências de elevação e queda na concentração de substâncias nocivas.

As únicas medições que permaneceram na faixa aceitável foram o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de nitrogênio (NO₂), embora tenham ocorrido transgressões pontuais. No Maranhão, os níveis de monóxido de carbono romperam o teto em 18% dos dias registrados. As demais substâncias monitoradas ultrapassaram as linhas de corte intermediárias ao longo de todo o ano.

Elevação nas taxas de emissão exige atenção dos estados

O levantamento detalha o comportamento de compostos específicos nas diferentes regiões. A presença de ozônio (O₃) subiu, em média, 11% das medições, com picos expressivos em Minas Gerais e presença marcante no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. Concomitantemente, a elevação do monóxido de carbono chegou a 17%, detectada no Rio Grande do Sul, Pernambuco e território fluminense.

Expansão das estações de monitoramento no Brasil revela falhas graves no controle da poluição atmosférica. Imagem: Ilustração
Expansão das estações de monitoramento no Brasil revela falhas graves no controle da poluição atmosférica. Imagem: Ilustração

O dióxido de nitrogênio apresentou um salto de até 22% no Rio de Janeiro, com viés de alta em São Paulo e estados vizinhos. O dióxido de enxofre registrou acréscimo de 16% no Espírito Santo. Em relação às micropartículas, o material particulado fino apontou redução de 8,4% nas bases paulistas. Por outro lado, o material particulado inalável, capaz de invadir o trato respiratório superior, registrou alta de 8% em uma estação dentro de uma escola mineira.

Expansão do monitoramento e obstáculos no controle diário

A infraestrutura de fiscalização também foi mapeada no documento governamental, contabilizando 570 estações de monitoramento ativas no território nacional. Esse montante indica uma expansão estrutural de 19% em relação a 2023, adicionando 91 unidades à rede de proteção. No entanto, o sistema ainda lida com deficiências operacionais significativas, visto que 21 postos não informaram seus status de funcionamento e outras 75 bases encontram-se inativas.

Tais falhas de comunicação podem gerar subnotificações nos diagnósticos anuais. Apesar das lacunas, o estudo é considerado um avanço considerável para a governança do setor. Essa evolução se estruturou na Política Nacional de Qualidade do Ar, instituída recentemente, viabilizando uma sistematização mais coerente dos dados repassados pelas unidades federativas.

Referências da notícia

Concentração de poluentes no ar ultrapassa limites em todo o país. 26 de fevereiro, 2026.