Furacão Michael devasta a Flórida

Já chamado de "tempestade do século" o furacão Michael desvastou o estado da Flórida, provocou ventos de de até 250km/h e continua causando prejuízos na costa sudeste dos EUA.

Carolina Barnez Carolina Barnez 11 Out. 2018 - 12:35 UTC
O furacão Michael é o terceiro ciclone tropical mais intenso a atingir a costa dos EUA. Créditos: NOAA/Divulgacão.

O furacão Michael já está sendo noticiado como a tempestade do século pela imprensa norte-americana. É o terceiro ciclone tropical mais intenso a atingir os EUA, perdendo apenas para o furacão conhecido como "Dia do Trabalho" (1935) e Camille (1969). O efeito devastador de Michael se deve principalmente a sua rápida intensificação próximo a costa dos EUA, que o fez chegar a Florida com ventos de 250 km/h e intensidade próxima a um furacão Categoria 5.

Normalmente, ciclones tropicais tendem a enfraquecer quando se aproximam da costa. Isso porque a terra firme desacelera seus ventos através de atrito. Além disso, quando a região central do furacão, conhecida como "olho", chega ao continente, o combustível desse sistema - umidade e calor proveniente da interação oceano-atmosfera - é interrompido e o sistema tende a enfraquecer e se dissipar.

No entanto, Michael apresentou um comportamento anormal, já que sua aproximação à costa foi acompanhada de uma rápida intensificação. Sua passagem por uma região com temperatura de superfície do mar cerca de 4ºC mais quentes que a média foi uma das causas para seu enorme fortalecimento. Além disso, Michael se deslocava a uma alta velocidade o que o fez adentrar uma maior distância pelo continente antes de efetivamente sentir o efeito da terra firme.

As consequências desses fatores atípicos foram uma grande destruição de estruturas, mortes e inundações. Apesar da ordem de evacuação, muitas pessoas ignoraram o pedido, o que agravou a situação. Até agora, sabe-se de duas vítimas fatais atingidas pelo arrasto de objetos e árvores através do vento. Estima-se que cerca de 370 mil pessoas estão sem energia elétrica nos estados da Flórida, Alabama e Geórgia. Ondas de mais de 2,5 metros foram registradas, além de inundações de até 4 metros acima do nível do mar na costa da Flórida

Após seu enfraquecimento, Michael segue pela costa sudeste dos EUA como tempestade tropical - categoria abaixo de um ciclone tropical Categoria 1. Apesar disso, os ventos de até 87 km/h e intensa precipitação associada ao sistema ainda estão causando diversos danos nos estados de Carolina do Sul, do Norte e Virgínia. O maior alerta é para inundações na costa desses estados pelo aumento do nível do mar causado pelo efeito do transporte dos ventos associados ao ciclone.

Previsão de rota e intensidade

A previsão do Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC) mostra que Michael mudará sua rota para leste/nordeste, saindo do continente ainda nesta madrugada e se intensificando sobre o oceano Atlântico Norte. No entando, Michael está gradativamente perdendo as características de tempestade tropical e sofrendo uma transição para um ciclone extratropical que seguirá em direção nordeste pelo Atlântico Norte.

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