Como estão as previsões para a temporada de furacões no Atlântico?

As previsões para a temporada de furacões do Atlântico neste ano estão mudando ao longo dos meses devido à combinação de variáveis climáticas opostas no Atlântico Tropical. Até agora tivemos uma tempestade nomeada e novo sistema se forma no Golfo do México, com chances de evoluir para um furacão.

Carolina Barnez Carolina Barnez 11 Jul. 2019 - 11:48 UTC
Depressão em formação no Mar do Caribe ontem tem grandes chances de ser o segundo sistema nomeado da temporada. Créditos: NOAA

Um dos maiores eventos naturais do Atlântico é a temporada de furacões. Ao longo dos anos, muito tem sido investido para melhorar as previsões do número e intensidade dos furacões, porém a complexidade do sistema climático ainda dificulta muito este trabalho. As previsões para a temporada de furacões de 2019 já sofreram algumas alterações nos últimos meses devido a combinação de forçantes climáticas opostas no Atlântico Tropical.

As estimativas da temporada são feitas através da previsão sazonal de agosto, setembro e outubro, considerado o período do pico de atividades de ciclones tropicais no Atlântico. Nesse sentido, a previsão pode se manter ou mudar, de acordo com confirmações ou alterações dos padrões atmosféricos esperados para o período.

Em Abril, divulgamos a previsão produzida pela Universidade Estadual do Colorado (CSU), que indicava para este ano uma temporada de furacões "normal" ou até abaixo da média. No entanto, o cenário previsto pela NOAA tem se mostrado mais adequado para o pico da temporada.

A agência americana prevê uma temporada moderada ou um pouco acima de média: 9 a 15 ciclones nomeados, 4 a 8 poderão se tornar furacões (ventos sustentados superiores a 119 km/h), sendo que 2 a 4 furacões podem evoluir acima da categoria 3 (ventos superiores a 178 km/h). É importante destacar que o período usado para avaliar uma temporada é de 1981-2010, onde em média 12 ciclones foram nomeados, 6 evoluíram para furacão e destes, 3 passaram da para categoria 3 ou mais.

A competição das forçantes

A incerteza a cerca da previsão da temporada se deve à "competição" entre as forçantes atmosféricas que controlam a formação dos furacões. A previsão deste ano se sustenta em basicamente 3 fatores que contriburem para uma temporada "ativa" ou "fraca":

  • Fraca: continuidade do El-Niño durante os meses de pico, pois ele suprime a atividade de ciclones tropicais no Atlântico por promover o aumento no cizalhamento vertical do vento e aumento da estabilidade atmosférica no oeste da região principal de desenvolvimento (mar do Caribe);
  • Ativa: temperatura de superfície do mar acima da média no mar do Caribe (+0.2°C a 0.4°C). Esta previsão é consistente com a fase positiva do modo de variabilidade climática conhecido como Oscilação Meridional do Atlântico, que tem contribuido desde 1995 para temporadas mais ativas de furacões;
  • Ativa: ventos alísios fracos na porção leste da região principal de desenvolvimento, que fortalece a monção africana e, consequentemente, aumenta a geração de ondas de leste que são os percursores dos furacões.

Além disso, a última previsão de El-Niño mostrou um evento fraco nos meses de pico, o que favoreceria a atuação dos outros dois fatores na atividade de furacões dessa temporada. Resta aguardar a evolução do cenário climático para ter mais certeza do que vai acontecer.

Nova tempestade tropical à vista?

Até o momento a tempestade subtropical Andreas foi o único nomeado da temporada. A costa central-sul dos EUA está em alerta de ciclone tropical e é esperado que, até o fim desta quinta-feira, uma depressão tropical (ventos de 62 km/h) se forme na região. Caso evolua para tempestade tropical (ventos sustentados de 63 km/h a 118 km/h) ela será chamada de Barry, sendo a segunda nomeada da temporada de 2019.

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