Grandes inundações deixam centro-oeste dos EUA embaixo da água

O meio-oeste dos Estados Unidos está sofrendo com inundações históricas desde meados de março desse ano. As principais causas para todo esse volume de água são as chuvas praticamente ininterruptas desde o início do ano e o derretimento de neve.

Paola Bueno Paola Bueno 04 Jun. 2019 - 11:00 UTC
O estado do Arkansas é um dos afetados pelas grandes cheias dos rios do meio-oeste americano. Foto: Gov. Asa Hutchinson/ Twitter.

O ano de 2019 não tem sido fácil para os Estados Unidos. Desde o início do ano ocorreram fortes ondas de frio, formação de ciclones ‘bombas’, uma série de tempestades severas com inúmeros tornados e, desde meados de março, parte do meio-oeste americano está debaixo d’água devido a inundações históricas!

As maiores inundações têm ocorrido ao longo dos rios Missouri, Mississipi e seus afluentes, atingindo os estados de Arkansas, Mississipi, Illinois, Kansas, Missouri, Oklahoma, Iowa e Nebraska. Os rios Missouri, Mississipi e Arkansas chegaram a níveis tão altos no final da última semana que as águas ultrapassaram e romperam vários diques de contenção, fazendo com diversas comunidades tivessem que evacuar imediatamente.

O Rio Arkansas, em Pendleton, Arkansas, atingiu o recorde de inundação de 10,4 metros no sábado e a previsão indica que ele ultrapassará a marca de 11 metros nessa semana. O Rio Mississipi, próximo a Quincy, chegou ao nível de 9,5 metros, 30 centímetros abaixo do recorde histórico. Em Dardanelle, o Rio Arkansas ultrapassou seu recorde histórico na sexta-feira, chegando ao nível de quase 14 metros.

Em muitas localidades ao longo do Rio Mississipi as inundações já são mais duradouras desde a Grande Inundação de 1927, um dos piores desastres climáticos dos EUA, onde mais de 60 mil km² de terra ficaram submersas, centenas de milhares de pessoas foram deslocadas e 250 morreram. Em relação aos níveis dos rios, o episódio atual não se equipara a catástrofe de 1927, mas em termos de longevidade, a inundação desse ano é comparável a ela.

Em Vicksburg, Mississipi, o rio ultrapassou o nível de inundação no dia 17 de fevereiro e permaneceu assim desde então. Em Baton Rouge, Louisiana, o Rio Mississipi ultrapassou a cota de inundação no início de janeiro e tem estado acima até agora, se isso se manter em junho, o recorde de maior número de dias consecutivos de inundação superará o recorde de 1927.

Todas essas inundações se devem basicamente ao derretimento da neve acumulada no inverno e as intermináveis chuvas que assolam a região desde o início do ano, alguns pontos no meio-oeste dos EUA já receberam mais de 1000 mm de chuva nesse ano. Um recente estudo publicado na revista Nature indica que as inundações extremas dos EUA estão associadas a quatro padrões atmosféricos: a incursão de umidade tropical, ciclones tropicais, sistemas de baixa pressão e neve derretida.

Apesar das inundações serem eventos complexos, suscetíveis a ocorrer todos os anos, uma pesquisa do Iowa Flood Center mostrou um aumento na frequência desses eventos em partes de Iowa e centro-oeste dos EUA. De acordo com a pesquisa, o que já foi considerada uma inundação de 500 anos em Iowa City é agora uma inundação de 80 anos, ou seja, a probabilidade de uma inundação dessa magnitude ocorrer em qualquer ano aumentou de 0.2% para 1.25%.

Infelizmente, as previsões indicam que as inundações continuarão, podendo até mesmo se agravar! Meteorologistas estão monitorando uma ampla área de convecção intensa que está se desenvolvendo no sudoeste do Golfo do México, que poderá se tornar uma depressão tropical ou tempestade tropical nos próximos dias. A umidade desse sistema tropical poderá se combinar com uma tempestade não tropical no centro-oeste do EUA, agravando ainda mais a atual situação.

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