Aquecimento global aumenta a ocorrência de eventos extremos?

Estudo recente mostra que o aumento das emissões de gases do efeito estufa está relacionado com a maior ocorrência de eventos extremos. Esses eventos são ligados ao comportamento do jatos de altos níveis, que está mudando impulsionado, principalmente, pelo rápido derretimento do Ártico.

Carolina Barnez Carolina Barnez 18 Abr. 2019 - 11:16 UTC
A contínua subida nas taxas de emissões dos gases do efeito estufa estão alterando o comportamento dos jatos de altos níveis. Créditos: NASA

A contínua subida nas taxas de emissões dos gases do efeito estufa estão aumentando a ocorrência de interrupções e quebras nas ondas dos jatos de altos níveis. A corrente de jato possui ondas de Rossby responsáveis por grande parte dos sistemas meteorológicos que atuam em médias e altas latitudes. Interrupções ou amplificações das feições do jato de altos níveis gerariam secas e incêndios mais frequentes no verão, inundações e até maiores eventos de frio no inverno.

Os resultados foram publicados em um trabalho do final do ano passado (2018), que sugere que verões como do de 2018, quando a configuração da corrente de jato induziu eventos extremos em escala sem precedente no Hemisfério Norte, serão 50% mais frequentes no final do século. Esse aumento ocorre em um cenário futuro onde as emissões de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa continuem a aumentar. Em um cenário mais pessimista, a ocorrência de extremos guiados pela corrente de jato poderia triplicar.

Nos últimos 15 anos, as corrente de jatos de ambos hemisférios ficaram mais altas e rápidas. O padrão de ondulação extrema, associado aos eventos meteorológicos mais intensos e catastróficos, é conhecido como amplificação quasi-ressonante. Os eventos extremos que afetaram todo hemisfério Norte durante o verão boreal de 2018 ocorreram devido à amplificação quasi-ressonante da corrente de jato. O resultado foi um ano marcado por incêndios na Califórnia, inundações no leste dos EUA e uma onda de calor de 6 meses em algumas partes da Europa. Segundo o estudo, todos esses eventos levam marcas do aquecimento global.

Adaptado de InsideClimateNews.org

O trabalho ainda explora o efeito de outros poluidores no comportamento do jato, especialmente os aerossóis - partículas microscópicas sólidas ou líquidas proveniente da industria, agricultura, atividades vulcânicas e plantas. O aerossol tem um efeito resfriador que contrabalanceia as mudanças no jato causadas pelos gases do efeito estufa.

Para Daniel Swain, cientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, esse trabalho mostra mais evidências da relação entre o derretimento acelerado do Ártico e os eventos extremos em médias latitudes no verão. [entrevista em Inside Climate News]

O derretimento do gelo marinho no verão expõe o oceano, que, ao invés de refletir a radiação solar como o gelo, a absorve. Isso acaba aquecendo mais as porções de terras ao redor aumentando a temperatura média na região. Como a taxa de aquecimento na região ártica é maior que no resto do globo, o contraste de temperatura que mantém a corrente de jato diminui, o tornando mais lento. Isso faz com que torções do jato e ondulações mais amplificadas e lentas fiquem mais frequentes, aumentando os eventos extremos e alongando suas durações.

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