Eventos extremos e mortes nos EUA

Condições tempestuosas castigaram os Estados Unidos nos últimos dias. Inundações e tornados provocaram mortes e prejuízos econômicos ao país. Entenda o que está por trás deste padrão de tempo.

Bruno César Capucin Bruno César Capucin 10 Mar. 2019 - 06:35 UTC
Evento de tornado supercélula nos Estados Unidos.

Não há dúvidas que os Estados Unidos é um dos poucos países do mundo que experimentam vários tipos de extremos meteorológicos e climáticos ao longo do ano, fatores que justificam um serviço nacional de meteorologia robusto, que objetiva minimizar os impactos e preservar à vida humana. Com a proximidade da primavera no Hemisfério Norte, a ocorrência de tempo severo relacionada a tornados aumenta em março, mas apresenta um pico entre os meses de abril, maio e junho.

Enquanto fevereiro terminou com inundações na costa oeste, março iniciou com tornados no sudeste. No dia 27 do mês passado, um homem morreu após ser arrastado em inundações provocadas pelo rio Eel no condado de Humbolt, na Califórnia. Nesse mesmo estado, a cheia do rio Russo na cidade de Guerneville gerou inundações que atingiram cerca de 2.000 edifícios.

Poucos dias depois, em 6 de março, novas inundações surpreenderam a Califórnia. Dessa vez, a chuva alcançou até o Vale da Morte, no leste do estado. O Vale da Morte é uma das regiões mais secas das Américas, e só no dia 6, a precipitação registrada correspondeu a 27% da média anual. O solo do deserto não é preparado para absorver rapidamente águas de chuvas intensas, podendo causar inundações repentinas e catastróficas ao transformar o leito seco de cursos d’água em rios caudalosos. Todos os casos de inundações citados acima possuem relação com os eventos de rios atmosféricos, que decorrem da passagem de sistemas de tempestades pela costa oeste, típicos da época.

No entanto, o evento meteorológico mais grave deste mês ocorreu no último domingo (dia 3), quando um surto de tornados atingiu o sudeste americano matando 23 pessoas. Foram reportados 39 tornados distribuídos entre o Alabama, Geórgia, Flórida e Carolina do Sul, incluindo um EF-3 e um EF-4 na escala Fujita melhorada. Análises preliminares dizem que o tornado EF-4 que atingiu o condado de Lee, no Alabama, teve ventos de 273 km/h e comprimento na ordem de 800 metros. Trata-se do primeiro registro de EF-4 em território nacional desde abril de 2017, e o pior tornado dos EUA desde 2013.

A tempestade do dia 3 esteve associada a diversos ingredientes. Uma área de baixa pressão e uma forte frente fria se deslocavam em direção a costa leste, ao mesmo tempo em que atraíam o ar quente e úmido do Golfo do México para o continente. Em níveis superiores da atmosfera, uma forte corrente de jato contribuiu para o cisalhamento do vento. A sinergia entre esses elementos é crucial no desfecho de tempo severo.

Tempo severo não para

Ontem (dia 9), um forte distúrbio de nível superior desenvolveu um novo sistema de tempestade que atingiu os estados do centro-leste e região dos Grandes Lagos. Ventos fortes, granizo e pelo menos 8 tornados foram reportados até às 23:30 horas do sábado, segundo a NOAA. Esta foi a segunda rodada de mau tempo de três nesta primeira quinzena de março. Isso porque no próximo dia 13, uma configuração clássica da corrente de jato para tempo severo está sendo esperada nas Grandes Planícies.

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