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Uma temporada de furacões menos ativa que o esperado! Qual a razão?

Apesar de uma aparente calmaria, as principais instituições internacionais ainda esperam que 2022 tenha uma temporada de furacões mais ativa que o normal. No entanto, a atividade prevista nessas novas previsões diminuiu em relação às previsões do início da temporada.

Temporada de furacões de 2022
A temporada de furacões de 2022 atualmente parece muito tranquila, mas as previsões ainda indicam que ela poderá ser mais ativa que o normal!

Apesar de ainda estarmos nos aproximando do período de máxima atividade de ciclones tropicais da temporada de furacões do Atlântico Norte, que ocorre entre meados de agosto e setembro, a temporada de 2022 tem se mostrado muito tranquila, indo contra as previsões iniciais, que indicavam uma atividade de tempestades tropicais acima do normal.

Do ponto de vista climatológico (média do período de 1991 a 2020), a temporada deste ano não está tão quieta assim. Geralmente a quarta tempestade tropical nomeada da temporada não acontece antes do dia 13 de agosto e o primeiro furacão do ano não ocorre antes do dia 11 de agosto. Até o momento tivemos 3 tempestades nomeadas, nenhuma delas chegou a categoria de furacão, ficando um pouco atrás da climatologia.

O que chama a atenção é que essas 3 tempestades não foram muito intensas e não tiveram muito impacto. A última tempestade, Colin, passou todo seu período de vida de 24 horas como uma tempestade tropical mínima na costa leste dos Estados Unidos. Antes de Colin, as tempestades Alex e Bonnie só se tornaram tempestades após longos períodos como distúrbios potenciais. O distúrbio que deu origem à tempestade Alex provocou chuvas torrenciais em Cuba, onde deixou 4 mortos, e inundações no sul da Flórida.

O que está acontecendo com a temporada deste ano?

As previsões do início da temporada levaram em consideração a presença da La Niña e de águas mais quentes que o normal sobre o Atlântico Norte como fatores que poderiam alavancar a atividade dos ciclones tropicais. Apesar de algumas dessas condições realmente estarem presentes, como o caso da La Niña, os ciclones não responderam como o esperado.

Um dos fatores que surgiram para inibir a formação dos furacões foram os sucessivos transportes de ar seco e poeira vindo do deserto do Saara, que tem ocorrido com frequência nas últimas semanas. Essa pluma de poeira sobre o Atlântico cria um ambiente mais seco e desfavorável para a formação de furacões.

Além disso, em algumas partes do Atlântico Norte houve um resfriamento das águas superficiais, algo que não era esperado no início da temporada. As águas quentes são o principal combustível para a formação e desenvolvimento dos ciclones tropicais.

O que indicam as novas previsões?

Apesar da atual calmaria, as novas previsões publicadas neste mês ainda indicam que a temporada de furacões de 2022 será mais ativa que o normal. Entretanto, a atividade prevista diminuiu em relação às previsões feitas no início da temporada!

Os principais centros de previsão continuam a apostar numa temporada mais ativa que o normal, apesar de reduzirem ligeiramente o número de tempestades em relação às primeiras previsões. A La Niña continua sendo o principal padrão climático por trás dessa previsão de atividade de ciclones acima da média!

A Colorado State University (CSU), em sua última atualização, prevê um total de 18 tempestades nomeadas, 8 das quais devem se tornar furacões e 4 grandes furacões (de categoria 3 ou superior), com uma redução de duas tempestades e dois furacões em relação à previsão anterior ao início da temporada.

A NOAA também diminuiu ligeiramente o número de tempestades na nova previsão, prevendo a ocorrência de 14 a 20 tempestades, das quais 6 a 10 devem se tornar furacões e 3 a 5 grandes furacões. Essas previsões já levam em conta as 3 tempestades Alex, Bonnie e Colin. Apesar da redução em relação às previsões anteriores, esses números continuam ligeiramente acima da média de 1991 a 2020: de 14 tempestades, 7 furacões e 3 grandes furacões.

A La Niña continua sendo o principal fator climático por trás dessa previsão de maior atividade de ciclones tropicais, além da persistência de águas mais quentes que o normal em algumas regiões do Atlântico Norte.