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Junho 2018: como ficou o tempo no Brasil?

O mês de junho de 2018 foi marcado pela continuidade do tempo seco em boa parte do Brasil. Em relação às temperaturas, algumas regiões tiveram um mês junho mais quente que o normal, enquanto outras tiveram um frio anormal.

Paola Bueno Paola Bueno 10 Jul. 2018 - 12:59 UTC
Para grande parte do Brasil, junho foi um mês mais seco que o normal.

O mês de junho, que marca o início do inverno no Brasil, foi marcado pelo predomínio do tempo seco em quase todo o país, o que é comum nessa época do ano. Porém, algumas regiões ficaram mais secas do que o normal, o que gera uma grande preocupação para o setor hídrico.

Com pouca ocorrência de chuvas, algumas regiões tiveram menos chuva que o normal para o mês de junho, como a região Norte e partes das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. A cidade de São Paulo, que já havia registrado um déficit de precipitação em maio, teve o 13° junho mais seco em 75 anos de medições. O INMET registrou somente 12,7 mm de chuva em todo o mês, ficando bem abaixo do normal climatológico de 50,3 mm.

Outras cidades no interior paulista também ficaram com chuvas abaixo da média, o que ocasionou a diminuição dos níveis fluviais dos principais rios que abastecem o estado, como os rios Atibaia, Jaguari e Piracicaba, acendendo o alerta para uma nova crise hídrica. Assim como São Paulo, o estado de Minas Gerais também sofreu com a falta de chuvas. A cidade de Belo Horizonte não registrou nenhum acumulado de chuva nesse mês, registrando o seu junho mais seco em 11 anos.

Os campos de anomalias de chuva e temperatura máxima mostram as diferenças observadas pelo Brasil. Fonte: CPTEC/INPE.

Em outras regiões do Brasil a situação hídrica também é delicada. No Ceará, o Castanhão, maior açude de abastecimento do Nordeste, está com apenas 8% da capacidade. A região metropolitana de Goiânia pode sofrer com a redução do fornecimento de água, já que seus rios atingiram níveis críticos. E no Rio Grande do Sul, a maior barragem de Bagé está cinco metros abaixo do nível normal.

Além da falta de chuvas, muitas cidades sentiram a falta do frio típico do inverno. Em São Paulo, a estação do IAG/USP, na zona sul da capital, registrou uma temperatura máxima de 29,3°C, se igualando a temperatura observada em junho de 1972, a maior já registrada desde o início das medições em 1932. Enquanto no Rio Grande do Sul algumas cidades tiveram mais frio que o normal, devido às sucessivas entradas de ar frio, com o registro de alguns eventos de geada. Santa Catarina também foi atingida por essas massas de ar frio, porém com menor intensidade.

O frio ficou restrito ao Sul do Brasil, pois as frentes frias ficaram restritas àquela região, não conseguindo se deslocar para norte. Em junho, o padrão de teleconexão conhecido como Oscilação Antártica esteve em uma fase favorável à formação de ciclones próxima à costa sul do Brasil, porém, anomalias quentes de temperatura de superfície do mar nessa mesma região fizeram com que os ciclones se mantivessem naquela região e se deslocassem para o oceano. Dessa forma, as frentes frias que acompanham esses ciclones atuaram somente na região Sul, não atuando no centro-sul do Brasil.

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