Sob o alerta de uma nova crise hídrica

Após sucessivos meses com chuvas abaixo do normal esperado, a região Sudeste do Brasil está sob ameaça de uma nova crise hídrica. Os níveis dos principais reservatórios têm diminuído nos últimos meses, incluindo o principal deles, o Sistema Cantareira.

Paola Bueno Paola Bueno 26 Jun. 2018 - 07:18 UTC
O principal sistema de armazenamento de água do Sudeste, o Cantareira, registrou um nível de 44% nos últimos dias.

A Região Sudeste do Brasil, a mais populosa e importante do país, está sob a ameaça de uma nova crise hídrica. Após a crise mais severa de 84 anos, entre os anos de 2014 e 2015, os principais reservatórios da região voltam a registrar níveis baixos de armazenamento, antes mesmo de começar o período mais seco da região que se iniciou na última semana.

Novamente estamos sob uma situação sensível do ponto de vista climático e de recursos hídricos na Região Sudeste. O verão desse ano, período no qual deveria ocorrer o maior volume de chuvas, fechou com chuvas abaixo da média em toda a região, principalmente no estado de São Paulo, e no outono a situação não foi diferente. Essa falta de chuvas fez com que a maioria dos reservatórios registrassem uma diminuição significativa no nível de água armazenada.

O principal sistema de abastecimento, o Sistema Cantareira, que abastece grande parte da região metropolitana de São Paulo, registra atualmente um nível de 44% de água armazenada. Nesse mesmo período do ano passado a situação era melhor, o nível era de 67.8%, e até mesmo nesse período em 2013, período pré-crise de 2014 e 2015, o nível era de 57%. O nível atual já coloca o sistema em estado de atenção e quando o nível ficar abaixo dos 40%, o sistema entra em estado de alerta, o que já impõe restrições à retirada de água das represas que compõe o sistema.

Todos os sistemas da região Sudeste apresentaram um déficit de precipitação no mês de junho e diminuição do nível armazenado. Fonte: Sabesp.

Em 12 dos últimos 18 meses a chuva no Cantareira ficou abaixo da média. A mesma situação será observada nesse mês de junho, que fechará com um déficit de -68% no acumulado do mês. Esse déficit está associado principalmente a uma menor passagem de frentes frias na região sudeste desde o final do ano passado, que são os principais responsáveis pela chuva na região.

No verão, as frentes frias estão associadas a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que ocasionam chuvas que abrangem quase todo o Sudeste e duram por dias. Portanto, a pouca formação de ZCAS fez com que houvesse menos chuva que o esperado no último verão. Além disso, no outono, apesar de não haver muita formação de ZCAS, as frentes frias também trazem chuva, porém, nesse outono, observamos uma menor passagem de frentes e aquelas que atuaram sobre a região não ocasionaram um acumulado significativo de chuvas.

O que esperar para os próximos meses

O cenário não é otimista para os próximos dias e meses, afinal, estamos entrando no período mais seco do ano para grande parte do Brasil, o inverno. A previsão para os próximos dias indica que quase não haverá chuva sobre o estado de São Paulo, região onde está situado o Sistema Cantareira.

A previsão climática para o inverno mostra que a região Sudeste terá um regime de chuvas dentro da média e as chuvas mais significativas ocorreriam somente a partir de setembro. Portanto, até lá, os níveis dos reservatórios diminuirão e, se continuarmos a ter um déficit de chuvas no próximo período chuvoso, provavelmente presenciaremos um novo episódio de crise hídrica.

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