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El Niño: atuais condições e previsões

Estamos observando a persistência de anomalias quentes de temperatura de superfície do mar nos oceanos Pacífico Central e Leste nos últimos meses, mas ainda não houve o estabelecimento do El Niño. O que será que tem atrasado o estabelecimento desse evento?

Paola Bueno Paola Bueno 20 Nov. 2018 - 10:15 UTC
No último mês observamos uma intensificação das anomalias quentes no Pacífico Equatorial, porém o El Niño ainda não foi estabelecido. Fonte: NOAA.

Desde julho desse ano estamos observando um aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, indicando a formação de um El Niño. Ao longo dos últimos meses essas anomalias quentes persistiram e se intensificaram, mas o evento ainda não se estabeleceu, continuamos em uma condição neutra de El Niño!

No último mês de outubro observamos um acentuado aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. As quatro regiões monitoradas do Pacífico (Niño 4, Niño 3.4, Niño 3 e Niño 1+2), registraram um aumento das anomalias positivas de TSM (temperatura da superfície do mar), com anomalias acima do limiar de 0.5°C, indicando a configuração de um El Niño no oceano. Porém, não bastam as anomalias positivas de TSM no Pacífico para termos um evento de El Niño, precisamos da resposta da atmosfera, afinal, o El Niño-Oscilação Sul é um fenômeno de acoplamento entre oceano e atmosfera.

Em algumas regiões do Pacífico houve um enfraquecimento dos ventos alísios (ventos de leste) em outubro, típica resposta atmosférica a um evento de El Niño. Porém, nas últimas semanas os ventos alísios voltaram a normalidade, além disso, ainda não foram observados os sinais característicos de El Niño nos campos de ventos em altos níveis, pressão e radiação de onda longa, que indicariam o deslocamento do principal centro de convecção do Pacífico Equatorial e o enfraquecimento da célula de Walker. Dessa forma, ainda não houve o estabelecimento do El Niño.

Diferenças entre a configuração de anomalias de TSM do El Niño de 2015 e do atual evento, ainda não estabelecido. Fonte: IRI.

De acordo com o IRI, a resposta atmosférica ainda não ocorreu devido a falta de um gradiente pronunciado de TSM entre o Pacífico Oeste e Leste, ou seja, não há uma diferença tão grande entre as temperaturas dessas regiões. Se observarmos o campo de anomalias de TSM da última semana e compararmos ao mesmo período do último El Niño de 2015, vemos que a diferença entre os dois lados do Pacífico era bem mais pronunciada em 2015. Essa diferença é a responsável pelo deslocamento do centro de convecção do Pacífico Oeste para o Central e o enfraquecimento da célula de Walker. Atualmente vemos anomalias quentes em quase todo o Pacífico, isso acaba desfavorecendo o deslocamento do centro de convecção, não gerando uma resposta na atmosfera.

Quais são as previsões?

Os principais centros internacionais permanecem em situação de alerta para um novo El Niño, ainda sem estabelecer o evento devido a falta da resposta atmosférica. Mesmo assim, grande parte dos modelos continuam a prever uma continuidade do aquecimento do Pacífico Equatorial, indicando uma probabilidade de 80 a 90% de formação de El Niño durante o final da primavera e o verão do Hemisfério Sul.

A persistência dessas águas mais quentes faz com que as previsões acreditem que ainda nesse ano a atmosfera passe a responder a essas anomalias e o evento seja estabelecido. Provavelmente esse será um evento de fraca a moderada intensidade, durando até o outono de 2019. Atualmente a configuração lembra a de um El Niño Modoki, com anomalias mais quentes no Pacífico Central, porém as anomalias de TSM do Pacífico Leste tem mostrado grandes alterações, portanto essa configuração pode mudar até o estabelecimento do evento.

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