A corrida contra o tempo pelo clima

Temos 18 meses para definir o futuro do clima do planeta? O que isso significa? Vivemos atualmente um período de emergência climática e, apesar de não podermos "curar" o planeta nos próximos anos, com planejamento e comprometimento poderemos minimizar as perdas.

Carolina Barnez Carolina Barnez 01 Ago. 2019 - 12:11 UTC
Estamos em uma corrida contra o tempo para manter as mudanças climáticas em níveis compatíveis com a sobrevivência humana.

Nos últimos anos tem se tornado mais frequente as notícias relacionadas às mudanças climáticas. Recordes de temperatura são quebrados, aumento das taxas de derretimento nos polos e desastres ambientais sem precedentes tem sido reportados com mais frequências. Segundo cientistas e autoridades pelo mundo, estamos em uma corrida contra o tempo para manter as mudanças climáticas em níveis compatíveis com a sobrevivência humana.

O que está correndo por aí é a notícia de que teríamos apenas 18 meses para definir o futuro do clima do planeta. Já sabemos que nas condições atuais de emissão de gases do efeito estufa, se hoje milagrosamente zerássemos as emissões, a temperatura do planeta continuaria subindo por alguns anos. Então, o que podemos fazer em 18 meses?

Bom, temos "18 meses" até o final de 2020, que marca o "fim" do Acordo de Paris (2015). Este prazo é decisivo para uma avaliação das metas passadas e a definição de ações políticas efetivas para os cortes nas emissões de carbono no próximos anos. "A matemática do clima é brutalmente clara: embora o mundo não possa ser curado nos próximos anos, pode ser fatalmente ferido por negligência até 2020", disse Hans Joachim Schellnhuber, do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático (Holanda), para a BBC.

O secretário-geral das Nações Unidas pede aos países ações para redução das emissões em 45% até 2030. Créditos: observatoriodoclima.eco.br

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterrez, pede aos países ações para redução das emissões em 45% até 2030, o que, segundo o relatório do IPCC, é o mínimo para mantermos o aumento da temperatura média global de 1,5º até o fim do século - o que seria ainda considerado um "aumento seguro" para nossa sobrevivência. Os planos atuais não são suficientes para manter as o aumento abaixo desse valor e estamos nos encaminhando para 3ºC de aquecimento até 2100. É por isso que é urgente o planejamento e comprometimento dos países até o final de 2020.

A política para além da ciência

O “desajuste climático acontece agora e para todos”, disse Guterres no último domingo em Abu Dhabi. O secretário-geral convocou para setembro a Cúpula para Ação Climática, que acontecerá em Nova Iorque, para que os países participantes levem propostas de melhorias em seus planos nacionais de corte de emissões. Guterrez apoia o desenvolvimento de energias renováveis e o fim do subsídio aos combustíveis fósseis. Segundo ele, “o dinheiro dos contribuintes não deve ser usado para aumentar os furacões, espalhar as secas e as ondas de calor e derreter os glaciais”.

A maior barreira das políticas climáticas são ações de governos que, convenientemente, negam o aquecimento global. No final do ano passado, os EUA, a Arábia Saudita, o Kuwait e a Rússia bloquearam o relatório especial do IPCC sobre a limite seguro de 1,5ºC até o final do século. A restrição do uso de trabalhos científicos nos planos desses governos são uma jogada política em prol de um desenvolvimento econômico inconsequente.

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