2019: um ano já marcado pelos extremos climáticos

Em pouco mais de um mês, 2019 já registrou uma série de eventos climáticos extremos. Ondas de frio mortais no hemisfério norte, ondas de calor no hemisfério sul, chuvas intensas, enchentes e grandes nevascas marcaram o início desse ano.

Paola Bueno Paola Bueno 12 Fev. 2019 - 10:52 UTC
Diversos extremos climáticos ocorreram no mundo nesse início de 2019. Na foto, um registro da enchente que atinge Queensland, na Austrália. Foto: Andrew Rankin/AAP/The Guardian.

Em pouco mais de um mês, 2019 já mostrou que não será um ano fácil no panorama climático, registrando diversos eventos climáticos extremos ao redor do mundo!

De acordo com o programa europeu Copernicus, janeiro desse ano registrou uma temperatura média global 0.4°C acima do normal, colocando-o como o 4° mais quente da história. Porém, analisando a distribuição de anomalias pelo mundo, vemos que alguns lugares tiveram um janeiro mais frio que o normal, como o leste do Canadá, nordeste dos Estados Unidos, norte da África, partes da Europa e Índia.

Anomalia de temperatura do mês de janeiro de 2019. Fonte: Copernicus.

Em contrapartida, grande parte da América do Sul, incluindo o Brasil, Oriente Médio, parte da Sibéria, Mongólia, nordeste da China e Austrália tiveram um janeiro mais quente que o normal. Essas anomalias estiveram associadas a eventos extremos. Aqui vamos resumir as que mais chamaram atenção em cada hemisfério!

Hemisfério Norte

O maior destaque foi a onda de frio nos Estados Unidos e Canadá no final de janeiro. Os termômetros atingiram temperaturas inferiores a -50°C, o que levou a morte de 21 pessoas. Atualmente, é a vez do noroeste dos EUA ser atingido por uma forte tempestade de neve, que, de acordo com os meteorologistas, pode gerar um dos maiores eventos de neve em décadas. A cidade de Seattle já registrou um acumulado de neve de 20 cm nesse final de semana.

Severas tempestades de inverno também atingiram o leste do Mediterrâneo e partes do Oriente Médio. Uma delas foi a tempestade Norma, que atingiu o Líbano entre os dias 09 e 10 de janeiro com fortes chuvas, nevascas e temperaturas congelantes, piorando ainda mais a vida dos refugiados sírios que acampam nessa região.

Nos Alpes Europeus ocorreram nevascas históricas. Em Hochfilzen, na Áustria, mais de 451 centímetros de neve caíram nos primeiros 15 dias de janeiro, um evento que estatisticamente é esperado que aconteça uma vez a cada século!

Até mesmo o Havaí está sob a rota de uma intensa tempestade de inverno. Um sistema de baixa pressão, chamado de Kona low, tem se aproximado do Havaí desde domingo, provocando rajadas de vento de mais de 100 km/h. Essa tempestade ainda pode trazer muita chuva, neve e ocasionar ondas gigantes de até 18 metros nos próximos dias.

Hemisfério Sul

Do lado oriental, a Austrália enfrentou a pior onda de calor da sua história e atualmente o nordeste do país enfrenta enchentes históricas! O mês de janeiro foi o mais quente da história, várias cidades australianas registraram temperaturas próximas dos 50°C. A falta de chuvas também afetou grande parte do país, mas principalmente a Tasmânia, que foi atingida por severos incêndios florestais. Além disso, após anos de chuvas abaixo da média, regiões de Queensland receberam o volume de chuvas esperado para um ano em apenas uma semana, gerando enchentes catastróficas.

Na América do Sul o calor foi destaque no Brasil, Chile e Argentina, com os termômetros registrando temperaturas recordes de até 40°C! Grandes volumes de chuva também ocasionaram em severos episódios de inundações e enchentes no Sul do Brasil, nordeste da Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.

No dia 8 de janeiro a cidade argentina de Resistencia registrou um acumulado de 224 mm de chuva, o maior volume de chuva acumulado em 24 horas já registrado na história do país! E no Brasil, uma tempestade severa atingiu a cidade do Rio de Janeiro entre os dias 06 e 07 de fevereiro, ocasionando na morte de 7 pessoas.

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