A primeira onda de calor no Brasil

O ano de 2019 começou muito quente no Brasil! Temperaturas acima de 40°C foram registradas em várias cidades, com sensação térmica chegando aos 50°C! Essa sucessão de dias muito quentes marcaram a primeira onda de calor de 2019 no Brasil!

Paola Bueno Paola Bueno 15 Jan. 2019 - 11:18 UTC
O Rio de Janeiro está sendo uma das capitais do Brasil mais afetadas pelas ondas de calor. Fonte: Lívia Torres/ G1.

Nesse verão algumas localidades do Brasil têm experimentado uma sequência de dias de calor intenso, registrando temperaturas mais altas que as esperadas para esta época. Na meteorologia, um período prolongado de tempo com temperaturas excessivamente quentes caracteriza uma onda de calor!

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, uma onda de calor é definida como uma sequência de dias consecutivos com temperaturas mais quentes que o normal (tanto em relação a temperatura média, máxima e mínima) sobre determinada região, persistindo por pelo menos 2 dias consecutivos durante o período mais quente do ano, baseado nas condições meteorológicas médias locais. Como a ocorrência das ondas de calor depende muito das características de cada região, existem diversas classificações ao redor do mundo. Uma temperatura de 35°C, por exemplo, numa região tropical pode ser considerada normal, mas pode ser uma temperatura muito quente numa região de clima temperado, caracterizando uma onda de calor.

Diversas podem ser as causas, variando de momento para momento e de região para região. Elas podem estar associadas a fenômenos de variabilidade climática, como o El Niño - Oscilação Sul, ou a anomalias na circulação atmosférica de altos níveis, que criam condições favoráveis a persistência de dias de “céu limpo”, ventos calmos e permanência de massas de ar quente. A causa mais comum está associada ao desenvolvimento e persistência de um centro de alta pressão (anticiclone) sobre determinada área, que estão associados aos bloqueios atmosféricos.

Anomalias de temperatura mínima (esquerda) e máxima (direita) registradas no Brasil nesse mês de janeiro. Fonte: CPTEC/INPE.

Logo nos primeiros dias do ano, diversas cidades do Sul e Sudeste do Brasil registraram altas temperaturas. No dia 02/01, a capital gaúcha de Porto Alegre foi a capital mais quente do Brasil, registrando uma temperatura de 38.1°C, mas com uma sensação térmica de 44.9°C! Outras cidades do Rio Grande do Sul registram temperaturas de até 40°C, com sensação de 50°C! No dia 03/01 foi a vez da capital Florianópolis, que registrou o dia mais quente de sua história, com uma temperatura de 39.7°C. E, em São Paulo, a cidade de Santos registrou uma temperatura de 40.5°C, com uma sensação térmica de 47°C no dia 03/01.

O Rio de Janeiro tem sido o mais afetado pelas ondas de calor nesse ano. No dia 03/01 a capital fluminense bateu recorde de calor com uma temperatura de 41.2 °C, a maior desde 2015. Mas esse recorde foi superado no dia 08/01, quando os termômetros do Sistema Alerta Rio marcaram uma temperatura de 42.2°C, devido a atuação de um bloqueio atmosférico na altura da costa do Sudeste, que manteve as temperaturas elevadas até o último final de semana.

A ocorrência desses eventos tem profundos impactos em diversos setores, como agropecuário, enérgico, hídrico e o mais importante, na saúde e bem-estar da população. Alguns estudos indicam que a frequência e duração das ondas de calor no Brasil podem aumentar nos próximos anos, isso se deve ao aumento da temperatura média da Terra, devido ao aquecimento global, e também a grande urbanização das áreas afetadas, que geram o efeito chamado Ilha de Calor Urbana, um tema a ser explorado em um próximo artigo.

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