Ano de 2018: o quarto mais quente desde o início das medições

Nesta semana, foi confirmado pela NASA que o ano de 2018 foi o quarto mais quente desde 1880 (ano em que iniciaram as medições no mundo). As temperaturas do planeta terra começaram a subir na década de 1980 e não pararam mais.

Davi Moura Davi Moura 09 Fev. 2019 - 12:13 UTC
A ocorrência de eventos extremos é cada vez mais frequente com o aquecimento do planeta terra.

Frio extremo no hemisfério norte e calor extremo no hemisfério sul, foi assim que iniciamos o ano de 2019. Desde de 1880, o planeta terra aqueceu aproximadamente 1ºC e os impactos deste aquecimento global já estão sendo sentidos. Apesar de parecer pequeno, 1ºC é um valor alarmante quando imaginamos a quantidade de energia envolvida para elevar a temperatura média do planeta. Suponha o planeta como sendo o seu corpo. A uma temperatura de 36,5º, tudo está sob controle. Contudo, se houver aumento de 1ºC, o corpo estará febril.

Porém, o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, acredita que o aquecimento global é uma falácia que freia o crescimento do país. Conter a emissão de gases do efeito estufa afetaria o fortalecimento da indústria e a queima do petróleo nos EUA. Na semana passada, o presidente Donald Trump ironizou em sua rede social: “No belo centro-oeste, as temperaturas do vento estão atingindo -60°C, o maior frio já registrado [...]. Que diabos está acontecendo com o aquecimento global? Por favor, volte logo, precisamos de você!”.

Entretanto, o aquecimento global não implica em temperaturas altas em todos os pontos do planeta. Na verdade, o aquecimento excessivo do planeta é traduzido em eventos extremos: secas prolongadas, chuvas torrenciais, inundações de áreas costeiras, frio e calor intenso e mudanças no ecossistema.

Desde a década de 1980 o planeta terra tem apresentado anomalias positivas de temperatura, ou seja, as temperaturas estão acima da média climatológica. Os anos de 2016, 2017, 2015, 2018 e 2014 foram confirmados como os 5 anos mais quentes desde 1880, respectivamente. Para o futuro, as projeções climáticas menos alarmantes mostram uma elevação da temperatura do planeta terra de 2ºC até o final deste século. Já os cenários mais caóticos chegam a apresentar projeções de aquecimento do planeta de 5ºC.

Como são feitas as medições de temperatura?

As análises de temperatura da NASA incorporam medições de temperatura em superfície de 6.300 estações meteorológicas, observações baseadas em medições de navios e boias das temperaturas da superfície do mar e medições de temperatura das estações de pesquisa da Antártida.

A NASA também usa aeronaves e bases terrestres de monitoramento, desenvolve novas formas de observar e estudar a Terra com registros de dados de longo prazo e desenvolve também ferramentas de análise computacional para melhor entender como o nosso planeta está mudando.

Devido as localizações das estações meteorológicas e as práticas de medição mudarem com o tempo, a interpretação de diferenças de temperatura médias globais ano a ano específicas tem algumas incertezas. Levando isso em consideração, a NASA estima que a acurácia da mudança média global de 2018 está dentro de 0,1ºF (~0,05ºC), com um nível de certeza de 95%.

O conjunto de dados de temperatura da superfície da NASA de 2018 e a metodologia completa usada para fazer o cálculo da temperatura média do planeta estão disponíveis em: https://data.giss.nasa.gov/gistemp

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