Super El Niño: previsão de setembro reforça pico excepcional de 3,5°C

A atualização de setembro da pluma de modelos do IRI aumentou a confiança em um El Niño histórico ao mostrar que tanto modelos dinâmicos quanto estatísticos passaram a indicar anomalias superiores a 3°C no Pacífico Equatorial.

Anomalia de temperatura da superfície do mar registrada no último dia 19 de setembro de 2026, com destaque para uma ampla região do Pacífico acima de 3°C. Créditos: Meteored/NASA.
Anomalia de temperatura da superfície do mar registrada no último dia 19 de setembro de 2026, com destaque para uma ampla região do Pacífico acima de 3°C. Créditos: Meteored/NASA.

O pico do Super El Niño pode alcançar 3,5°C entre outubro e janeiro, segundo a atualização divulgada na tarde desta segunda-feira (21) pelo Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. A famosa "pluma de modelos", atualizada mensalmente pelo instituto, reúne previsões de dezenas de modelos climáticos e é considerada uma das principais ferramentas utilizadas mundialmente para monitorar e prever a evolução do El Niño-Oscilação Sul (ENOS).

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Ao reunir em um único gráfico as previsões dos modelos e suas médias, ela oferece uma das referências mais importantes para avaliar a evolução do fenômeno. Confira os detalhes da nova atualização e o que mudou em relação ao mês anterior.

Modelos estatísticos e dinâmicos indicam aquecimento acima de 3°C

O gráfico abaixo mostra a pluma de modelos utilizada pelo IRI para a previsão do El Niño, que utiliza modelos dinâmicos e estatísticos. As previsões dos diferentes modelos é mostrada nas linhas mais finas, enquanto a média dos modelos dinâmicos é representada pela linha rosa espessa, a média dos modelos estatísticos pela linha verde espessa e a média de todos os modelos pela linha azul espessa.

A média dos modelos dinâmicos, considerados mais robustos para previsões sazonais, indica que o pico do evento deverá ocorrer entre outubro de 2026 e janeiro de 2027, com anomalias próximas de +3,5°C.

Já a média de todos os modelos aponta para um máximo em torno de +3,4°C. Esse valor fica ligeiramente abaixo da previsão dos modelos dinâmicos porque os modelos estatísticos indicam um aquecimento um pouco menor, embora ainda excepcional, da ordem de +3,2°C a +3,3°C.

Previsão de anomalia relativa de TSM no Niño 3.4 iniciada em setembro, destacando o valor máximo previsto na linha vermelha. Créditos: Elaborado por Meteored/Adaptado de IRI.
Previsão de anomalia relativa de TSM no Niño 3.4 iniciada em setembro, destacando o valor máximo previsto na linha vermelha. Créditos: Elaborado por Meteored/Adaptado de IRI.

Em relação à atualização de agosto, a principal mudança não foi apenas o aumento das anomalias previstas, mas a maior concordância entre os diferentes sistemas de previsão.

No mês passado, os modelos dinâmicos já sugeriam um pico próximo de +3,5°C, enquanto os estatísticos permaneciam abaixo de +3°C. Agora, ambos os conjuntos apontam para um evento excepcional, com os modelos estatísticos também superando a marca de +3°C.

Essa convergência elevou a média geral das previsões, que passou de cerca de +3,1°C em agosto para aproximadamente +3,4°C na atualização de setembro. Em outras palavras, tanto os modelos baseados na física do sistema oceano-atmosfera quanto aqueles fundamentados em relações estatísticas históricas passaram a indicar um cenário semelhante para a intensidade máxima do El Niño 2026/2027. Além disso, também há concordância que o fenômeno deve permanecer ativo até, pelo menos, abril-maio-junho de 2027.

Previsão de anomalia relativa de TSM no Niño 3.4 iniciada em agosto, a fim de comparação. Créditos: Elaborado por Meteored/Adaptado de IRI.
Previsão de anomalia relativa de TSM no Niño 3.4 iniciada em agosto, a fim de comparação. Créditos: Elaborado por Meteored/Adaptado de IRI.

Somado a isso, a última atualização da NOAA aumentou para 75% a probabilidade do El Niño 2026/2027 superar 2,5°C e assumir o posto de evento mais intenso da história desde o início dos registros, em 1950.

Embora a resposta nos campos de precipitação e temperatura dependam também da interação com outros fenômenos de diferentes escalas espaciais e temporais, um evento ‘muito forte’ (anomalias superiores a 2°C) aumentam a probabilidade da ocorrência de determinados padrões.

No Brasil, os maiores impactos se referem a secas prolongadas nas regiões Norte e parte do Nordeste, chuvas acima da média e aumento dos eventos extremos no Sul, além do aumento das temperaturas entre em parte do Centro-Sul do país. Globalmente, são esperados novos recordes de temperatura.