NOAA eleva para 75% a chance de um El Niño histórico superar todos os eventos desde 1950
“Super El Niño” histórico e sem precedentes: probabilidade do pico do aquecimento superar 2,5°C aumenta +6% em relação ao mês anterior. Caso este aquecimento se concretize, o evento de 2026/2027 irá assumir o topo no ranking dos eventos que se tem registro.

A NOAA aumentou para 75% a probabilidade do El Niño 2026-2027 superar todos os eventos desde o início dos registros nos anos 50. A informação merece destaque da Discussão Diagnóstica do El Niño Oscilação-Sul do Centro de Previsões Climáticas (CPC/NOAA) desta quinta-feira (10), que acredita que o pico do evento entre outubro e dezembro supere 2,5°C. Confira os detalhes.
Chance de um evento histórico cresce em setembro
A atualização de setembro do CPC/NOAA reforçou ainda mais o cenário de um El Niño excepcional em 2026. O principal destaque do boletim é que a probabilidade de o evento atingir intensidade histórica aumentou novamente.
No boletim de agosto, essa probabilidade era de aproximadamente 69%, indicando um aumento de 6 pontos percentuais em apenas um mês.
O gráfico abaixo, produzido pela Meteored com base nos dados da NOAA, apresenta a evolução do índice RONI desde 1950. Os destaques indicam os anos em que o El Niño alcançou valores iguais ou superiores a 2°C, limiar da categoria “muito forte” - ou Super El Niño, como a mídia convencionou. Apenas quatro episódios atingiram essa marca ao longo de toda a série histórica.

Se a probabilidade atual prevista pela NOAA se concretizar, o El Niño 2026/2027 não apenas entrará para esse seleto grupo, mas também estabelecerá um novo recorde absoluto, ultrapassando os eventos de 1982/1983 (2,4°C) e de 1997/1998 e 2015/2016 (2,3°C) e tornando-se o mais intenso já registrado desde 1950.
Ainda segundo a NOAA, o El Niño continuou se fortalecendo durante agosto. As anomalias de temperatura da superfície do mar atingiram +1,8°C na região Niño-3.4, +2,5°C na Niño-3 e impressionantes +3,4°C na Niño-1+2, no leste do Pacífico equatorial. A atmosfera também segue respondendo ao aquecimento oceânico, com padrões de ventos, convecção e precipitação típicos de um El Niño em fortalecimento.
Os modelos climáticos analisados pelo CPC indicam que o aquecimento deve continuar aumentando ao longo dos próximos meses. Por isso, a NOAA mantém mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte (fim de 2026), ressaltando que um evento dessa magnitude aumenta as chances de impactos climáticos significativos em diversas regiões do planeta, embora não garanta seus efeitos específicos.