Sul terá pelo menos 15 dias de chuva abaixo da média, mesmo com Pacífico aquecido; entenda
A previsão de chuvas abaixo da média na região Sul do Brasil é uma resposta à fase positiva da Oscilação Antártica, o principal modo de variabilidade extratropical do Hemisfério Sul.
- Mais informações: Dois sistemas de baixa pressão afetam o Sul e Sudeste do Brasil

A previsão para os próximos 15 dias indica chuvas abaixo da média em grande parte da Região Sul do Brasil, um cenário que pode surpreender quem já associa o aquecimento recente do Pacífico Equatorial aos efeitos típicos do El Niño.
Apesar do Pacífico estar aquecido e dentro do limiar de El Niño (+0,5°C) nas últimas duas semanas, sendo este provavelmente o início oficial do evento 2026/27, a resposta atmosférica às variações de temperatura do oceano leva tempo, na escala de semanas ou meses.
Logo, os impactos não são instantâneos: existe um intervalo entre o aquecimento das águas do Pacífico e a reorganização dos padrões atmosféricos capazes de alterar o regime de chuvas na América do Sul. Assim, ao contrário do que muitos imaginam, o aumento das precipitações no Sul do Brasil, um efeito clássico do El Niño na América do Sul, ainda não deve ocorrer tão cedo.
Neste momento, outros fatores atmosféricos, como a fase positiva da Oscilação Antártica, seguem tendo influência mais direta sobre o padrão de bloqueio e a redução das chuvas na região. Confira os detalhes.
Predomínio de chuvas abaixo da média
A previsão de anomalia semanal de precipitação do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, indica que as chuvas devem ser predominantemente abaixo da média na região Sul do Brasil nas próximas semanas.
Nos mapas abaixo, a escala de cores em laranja indica regiões de chuvas abaixo da média, em verde chuvas acima da média e em branco chuvas dentro do normal. Nota-se, portanto, chuvas abaixo da média

Nota-se que na semana entre 25 de maio e 1° de junho, grande parte do país terá predomínio de chuva abaixo da média, com as maiores anomalias previstas sobre a região Sul, alcançando até 60 mm abaixo da média no noroeste do Rio Grande do Sul.
Na semana entre 1° e 8 de junho, a maior parte da região Sul continua com previsão de volumes abaixo da média, embora parte do Rio Grande do Sul e Paraná possam ter chuvas dentro do normal. Este padrão pode ainda se prolongar até, pelo menos, 15 de junho, embora a incerteza aumente neste horizonte de previsão.
Então não vai ter chuva na região Sul?
Não exatamente. A projeção de chuvas abaixo da média na escala semanal não indica necessariamente a ausência de precipitação. Na verdade, ela nos diz que o total de chuvas previsto para este período será abaixo da média.

Aliás, há previsão de tempestades e chuvas intensas na região Sul entre segunda (25) e terça-feira (27) e um novo episódio de chuvas no próximo final de semana. Essas chuvas, porém, serão irregulares e não vão abranger a região como um todo.
Qual o papel da Oscilação Antártica?
A Oscilação Antártica (AAO), também conhecida como Modo Anular Sul, é o principal modo de variabilidade extratropical do Hemisfério Sul. Em termos simples, ela representa mudanças na posição e intensidade dos ventos que circulam ao redor da Antártica, influenciando diretamente o avanço de sistemas como ciclones e frentes frias em direção ao sul da América do Sul.
A fase positiva é uma condição que costuma manter os ciclones mais restritos à Antártica e dificulta o avanço de frentes frias sobre o Brasil, uma vez que a pressão atmosférica é mais baixa sobre a Antártica e mais alta nas latitudes médias. Isso fortalece o cinturão de ventos de oeste ao redor da Antártica e dificulta o avanço dos sistemas extratropicais.

O gráfico acima mostra o índice AAO observado entre 26 de janeiro e 25 de maio (esquerda, painel superior) e a previsão para 7, 10 e 15 dias nos gráficos seguintes. De acordo com essas previsões, a AAO deve ter uma fase positiva até, pelo menos, a primeira semana de junho, sendo que pode haver uma mudança a partir da segunda quinzena, com o retorno à fase negativa.
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