O que esperar para a segunda quinzena de Maio?

Nas próximas duas semanas as chuvas se manterão frequentes no Centro-Sul do país, trazendo um cenário mais úmido do que o previsto anteriormente. Aqui explicamos o que está por trás das mudanças.

Tiago Robles Tiago Robles 15 Maio 2019 - 12:38 UTC
Mudanças para a segunda quinzena, devido a mudança de sinal da Oscilação Antártica.

Nas últimas semanas os modelos passaram a mostrar uma segunda quinzena mais úmida para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O que também vai na “contramão” de um cenário esperado sob influência de El Niño. Mas o que está acontecendo? Aqui explicamos o porquê das mudanças.

A Oscilação Antártica e o Oceano Atlântico

O fator mais influente para a mudança do cenário é a Oscilação Antártica (AAO). Como a sua previsibilidade é muito baixa em relação as demais oscilações, com prognóstico de até 15 dias e confiança de somente 7, em cenários de neutralidade ou de El Niño e La Niña de fraca intensidade, a AAO pode contribuir para alterações nas previsões.

No início do mês o sinal da AAO estava ligeiramente positiva e a previsão para os próximos dias estava apontando para manutenção desse sinal. O que trazia um cenário de manutenção do que estava ocorrendo, com chuvas irregulares no Centro-Sul do país. No entanto, houve um aumento brusco do sinal positivo seguido de uma queda abrupta em direção ao índice negativo, proporcionando um aumento da frequência da formação de sistemas frontais nos últimos dias. Essa condição deve perdurar para a próxima quinzena.

Outro fator que irá contribuir para o aumento das chuvas são as águas mais aquecidas do Oceano Atlântico próximo a costa no Brasil. Uma vez que há aumento da frequência de frente frias, esses sistemas ao encontrar águas mais aquecidas na altura no Sudeste, tendem a permanecer por mais tempo nessas latitudes, contribuindo para mais dias de tempo fechado e com chuva.

Como será a próxima quinzena?

Analisando a projeção do modelo CFSv2 para a próxima quinzena, fica evidente a influência das água aquecidas do Atlântico Sul no posicionamento dos sistema frontais, através das anomalias de precipitação. Vale ressaltar que na metade norte do país, apesar de as frentes frias contribuírem para um aumento da umidade, o fator mais influente nessa porção do país é a Oscilação de Madden-Julian favorável as chuvas durante a terceira semana do mês.

Assim para os próximos dias, uma frente fria avançar e provocar chuvas em toda a costa do Sudeste e no sul da Bahia. Há também um aumento da umidade no interior do país, mas como a frente fria atua de forma costeira, as chuvas ocorrem de maneira mais isolada, mas mesmo assim há possibilidade de bons volumes de chuva em Minas Gerais e em Goiás.

Para o final do mês, outra frente fria passa a atuar no Centro-Sul, se mantendo por mais tempo na altura de São Paulo, o que resulta em um período chuvoso sobre o estado, o Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e metade sul do estado de Minas Gerais, de Goiás e do Mato Grosso. O frio não está descartado, mas na média, espera-se temperatura ligeiramente acima para todo o Brasil.

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