Clima de Maio: será que o El Niño irá influenciar?

O mês de Maio estará sob influência de vários fatores, mas qual terá mais peso? Aqui discutimos o papel do El Niño, das oscilações Antártica e de Madden-Julian e das águas do Atlântico.

Tiago Robles Tiago Robles 01 Maio 2019 - 17:04 UTC
O mês de Maio será influenciado por vários fatores. Desde o El Niño até as água do Atlântico.

O mês de Maio já começou e há muitas dúvidas sobre como as condições meteorológicas irão se comportar, uma vez que, mesmo com um fenômeno El Niño presente, a atmosfera não respondeu aos estímulos do aquecimento do Pacífico Equatorial nos meses anteriores. O que ressalta a influência de outros fatores. Será que este mês o El Niño será mais influente?

O fenômeno El Niño

O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial acima de 0,5°C em relação à condição normal da superfície do oceano vem ocorrendo desde meado do mês de Outubro de 2018, com influência a partir do terceiro mês de aquecimento no Brasil, ou seja, a partir de Janeiro. No entanto, como se trata de um fenômeno de fraca intensidade outros fatores tiveram mais peso nas condições atmosféricas até o momento.

Observando a projeção para os próximos trimestres, tanto os modelos dinâmicos quanto os modelos estatísticos, mostram uma manutenção do aquecimento acima de 0,5°C na região mais central do Pacífico Equatorial (Niño 3.4). Assim, se espera que as chuvas fiquem mais concentradas no Centro-Sul do país e não tanto ao Sul, uma vez que ainda se trata de um fenômeno de fraca intensidade.

Projeções de modelos dinâmicos e estatísticos para anomalia de temperatura da superfície da região 3.4 do El Niño. Fonte IRI ENSO Forecast.

Em relação às temperaturas, são esperadas temperaturas ligeiramente acima da média, o que não quer dizer que não teremos frio e, sim, que a incursão de massas de ar frio seja menos frequentes e a condição mais úmida diminua a amplitude térmica.

Oscilação Antártica, Madden-Julian e Oceano Atlântico

A Oscilação Antártica tem previsibilidade de até uma semana, pelo fato oscilar diariamente. Para os próximos dias as projeções apontam para uma mudança de sinal para índice positivo, o que representa uma diminuição das chuvas no Centro-Sul entre a segunda e terceira semanas.

Para a Oscilação de Madden-Julian, as projeções mostram condições desfavoráveis à ocorrência de chuva durante a primeira quinzena do mês na metade norte do país, com uma condição bastante favorável durante a segunda metade do mês e uma transição para o mês Junho marcando o início da estação seca.

Já as águas do Atlântico Sul se mostram mais aquecidas que o normal. Essa condição é bastante favorável para determinar a “qualidade” das chuvas. Neste cenário, podemos prever chuvas mais volumosas na costa do sul da Bahia até o norte do Rio Grande do Sul, uma vez que se houver o avanço de sistemas frontais, haverá mais umidade e energia para a formação de nuvens de chuva, principalmente, entre o leste paulista e o sul baiano. Para a faixa norte do país, a ZCIT continuará atuante uma vez que águas se mantém aquecidas e as temperaturas continuam mais baixas no sul do Atlântico Norte.

Previsão para o mês de Maio

O modelos CFSv2 foi utilizado para representar a distribuição das anomalias de precipitação, uma vez que está mais coerente com as condições esperadas para boa parte do Brasil. De maneira geral se observa que as chuvas se manterão frequentes no Centro-Sul do Brasil ao longo do mês, com maior persistência em Santa Catarina, Paraná e metade sul dos estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. O que passa a idéia de que os sistemas frontais irão se formar mais nessa região. No entanto, apesar de chover, há uma redução dos volumes em meados do mês.

Já para a metade norte do país, as chuvas diminuem durante a primeira quinzena, com redução mais acentuada na metade sul do Pará, norte do Mato Grosso e de Goiás, no Tocantins e no interior do Nordeste. Na segunda metade, passa a chover mais nessas áreas. Na faixa norte do país, o CFSv2 mostra anomalias bastante negativas, o que não condiz com o que foi discutido anteriormente. Assim, o modelo mostra um cenário pouco provável. Em relação às temperaturas, se esperam valores ligeiramente acima da média em todo o país.

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