Indicador de chuvas extremas traz risco para o Sul e regiões do Norte e Nordeste; veja

O índice de previsão extrema do ECMWF alerta para vários dias de chuvas intensas no Sul do Brasil, com volumes elevados e risco de transtornos. O indicador também aponta precipitações acima do normal em áreas do Norte e Nordeste.

Um indicador de chuvas extremas conhecido como índice de previsão extrema (do inglês extreme forecast index, EFI), do modelo ECMWF, alerta para quatro dias consecutivos com chuvas incomuns a extremas sobre a região Sul do Brasil a partir de domingo (28).

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Os acumulados previstos superam 200 mm até quarta-feira (1) e há elevado potencial de transtornos relacionados a alagamentos, enxurradas e inundações. O EFI também alerta para precipitações incomuns em parte das regiões Norte e Nordeste, embora os volumes não sejam tão elevados quanto no Sul. Confira os detalhes.

Alerta de chuvas extremas: acumulados superiores a 200 mm

Diferentemente de uma previsão convencional, o EFI não informa quantos milímetros de chuva devem cair, mas o quão incomum a previsão é em relação ao que normalmente ocorre para aquela região e época do ano.

Para a precipitação, valores do EFI acima de 0,5 já indicam um evento incomum, enquanto valores superiores a 0,8 sinalizam uma situação extrema, ou seja, com potencial para ocorrer entre os eventos mais intensos do clima daquela região. Quanto mais o índice se aproxima de 1, mais rara e excepcional é a chuva prevista.

Quando o EFI atinge esses valores elevados, significa que há uma maior probabilidade de ocorrência de chuvas muito acima do normal, aumentando o risco de impactos como alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos de terra, especialmente em áreas vulneráveis ou onde o solo já está encharcado.

EFI do ECMWF para a precipitação entre domingo (28) e quarta-feira (1). Créditos: Adaptado de ECMWF.
EFI do ECMWF para a precipitação entre domingo (28) e quarta-feira (1). Créditos: Adaptado de ECMWF.

Os mapas acima mostram o EFI entre domingo (28) e a próxima quarta-feira (1), onde o maior destaque é para chuvas incomuns a extremas semi-estacionárias sobre parte da região Sul, englobando desde o centro-norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e metade oeste do Paraná. Nestas regiões os acumulados devem superar 200 mm até o fim de quarta-feira (1).

Previsão de chuva acumulada até o final de quarta-feira (1), segundo o ECMWF.
Previsão de chuva acumulada até o final de quarta-feira (1), segundo o ECMWF.

Além disso, entre domingo (28) e segunda-feira (29) também há alerta para chuvas incomuns na faixa norte do país, entre as regiões Norte e Nordeste. As áreas com alerta para maiores volumes estão no litoral do Nordeste, entre Alagoas, Pernambuco e Paraíba, e também no Amapá, Roraima e Amazonas, onde os valores podem superar 100 mm até o final de quarta-feira (1), mas com a maior parte do volume concentrado até o final de domingo (28).

Previsão de chuva acumulada até o final de quarta-feira (1), segundo o ECMWF.
Previsão de chuva acumulada até o final de quarta-feira (1), segundo o ECMWF.

Os volumes previstos para os próximos dias são muito elevados e deixam, pelo menos, 9 estados de 3 regiões em alerta para transtornos relacionados a tempestades, chuvas intensas, enxurradas, alagamentos repentinos, inundações e deslizamento de terra em áreas mais vulneráveis. O maior risco, no entanto, está sobre a região Sul, onde as chuvas voloumosas estão associadas à formação de tempestades.

A influência do El Niño

Como alertado anteriormente pela Meteored, a resposta atmosférica ao El Niño torna-se mais evidente neste final de junho. A previsão mostra o fortalecimento da convecção sobre o Pacífico central (área verde na figura abaixo) e a intensificação da subsidência (movimento descendente do ar, área laranja) sobre o Pacífico ocidental e o Continente Marítimo, indicando a reorganização da circulação de Walker característica desse fenômeno.

Resposta atmosférica ao El Niño prevista para o final de junho. Fonte: Adaptado de NCICS/CFS.
Resposta atmosférica ao El Niño prevista para o final de junho. Fonte: Adaptado de NCICS/CFS.

Essa reorganização da circulação atmosférica favorece mudanças nos padrões de chuva em diversas partes do planeta. Na América do Sul, um dos efeitos mais conhecidos é o aumento da frequência e da intensidade das precipitações sobre o Sul do Brasil.

Embora o episódio de chuva extrema previsto para os próximos dias esteja diretamente associado à atuação de sistemas meteorológicos, como áreas de baixa pressão e tempestades, o El Niño fornece um ambiente atmosférico mais favorável para a ocorrência de precipitações persistentes e volumosas, contribuindo para elevar o risco de eventos extremos na região.