Como será o clima na primeira quinzena de outubro
Os padrões de chuva e temperatura previstos para a primeira quinzena de outubro serão fortemente modulados pelo El Niño, cuja influência sobre o clima do Brasil tende a ser mais evidente entre a primavera e o início do verão.

A primeira quinzena de outubro, o segundo mês da primavera, será de contraste térmico e de chuvas sobre o Brasil, fortemente modulado pelo El Niño. Enquanto o Centro-Sul deve ter chuvas acima da média e novos eventos extremos de precipitação, chuvas abaixo da média devem predominar entre o Norte e o Nordeste, elevando as temperaturas até 6°C acima da média. Confira os detalhes.
Anomalias de chuva
Na semana entre 5 e 12 de outubro estão previstas chuvas entre 60 e 90 mm acima da média em uma área que abrange desde o norte do Rio Grande do Sul até o sul do Mato Grosso do Sul, segundo o modelo ECMWF, de confiança da Meteored.
Chuvas acima da média (30 a 60 mm) também estão previstas para São Paulo, na divisa com o Paraná, e anomalias menores (10 a 30 mm) no restante do estado.
Na semana seguinte (12 a 19 de outubro), as chuvas devem permanecer acima da média entre Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e parte do Brasil Central, mas os desvios em relação à média serão menores (10 a 60 mm).

Em contraste, a metade norte do país apresenta tendência de chuvas abaixo do normal, apesar dos desvios não serem tão intensos. As maiores anomalias são da ordem de 30 mm abaixo da média, tanto entre 5 e 12 de outubro quanto entre 12 e 19, com persistência dessas condições principalmente entre o Amazonas, Pará e Roraima.
Entre 5 e 12 de outubro a área com as maiores anomalias negativas também abrange Rondônia, Mato Grosso e parte do norte da região Sudeste, mas chuvas ligeiramente abaixo da média (10 mm) se espalham também sobre o Nordeste. Vale ressaltar que chuva abaixo da média não é sinônimo de ausência total de chuva.
Anomalias de temperatura
O padrão previsto para a temperatura acompanha o padrão de chuvas. Enquanto no Centro-Sul a maior nebulosidade relacionada às chuvas e a entrada de massas de ar frio após as frentes frias tendem a deixar as temperaturas entre a média e abaixo da média, no Centro-Norte do país as temperaturas tendem a ficar elevadas.
Os maiores desvios negativos em relação à média devem ocorrer entre 12 e 19 de outubro sobre o Mato Grosso do Sul, entre 1°C e 3°C abaixo da média, enquanto no Rio Grande do Sul e partes de Santa Catarina e Paraná, os desvios previstos são da ordem de 1°C.

Enquanto isso, a precipitação abaixo da média prevista para a metade norte do país faz as temperaturas subirem na maior parte do Norte, Nordeste e Sudeste, com pelo menos 1°C e 3°C acima da média. Algumas áreas podem alcançar anomalias de 3°C a 6°C acima da média, como em partes do Pará, Amazonas, Roraima e norte de Minas Gerais,
O papel do El Niño
O aquecimento anômalo do Pacífico associado ao El Niño modifica os padrões de circulação atmosférica em grande escala e favorece o fortalecimento do jato subtropical, um corredor de ventos intensos em altos níveis da atmosfera. A posição e a intensidade desse jato são importantes para a organização dos sistemas meteorológicos, pois influenciam a formação e a trajetória de ciclones e frentes frias.
Entre agosto e setembro o jato subtropical tem apresentado períodos de maior intensidade e uma atuação mais ao norte do que o habitual sobre a América do Sul. Esse padrão ajuda a explicar as condições de chuvas abaixo da média na metade sul do Rio Grande do Sul e os recordes de precipitação em São Paulo, por exemplo.
As previsões subsazonais seguem bastante consistentes na indicação de uma zona potencialmente tempestuosa sobre o país ao longo de outubro.
Bruno César Capucin (@BrunoCapucin) September 27, 2026
A razão para isso é o El Niño, que manterá o fluxo do Jato Subtropical muito ativo sobre o oceano Pacífico, mas com uma assinatura sobre a pic.twitter.com/pFEPxBFUb6
No Norte e Nordeste, por outro lado, as alterações na circulação atmosférica associadas ao El Niño favorecem movimentos descendentes do ar, conhecidos como subsidência. Quando o ar desce, ele tende a se aquecer e a reduzir a umidade relativa, dificultando o desenvolvimento de nuvens profundas e, consequentemente, a ocorrência de chuva. Esse mecanismo ajuda a explicar a tendência de precipitação abaixo da média e de temperaturas acima da média prevista para essas regiões discutidas anteriormente.