Como será o clima em outubro com El Niño cada vez mais forte

O El Niño segue se fortalecendo e deve manter chuvas acima da média no Centro-Sul, seca no Norte e temperaturas elevadas em grande parte do Brasil.

O clima de outubro será fortemente modulado pelo El Niño: está previsto um grande contraste no regime de chuvas e de temperatura ao longo do território brasileiro.
O clima de outubro será fortemente modulado pelo El Niño: está previsto um grande contraste no regime de chuvas e de temperatura ao longo do território brasileiro.

O El Niño 2026-2027, que já vem quebrando diversos recordes, continua se fortalecendo e deve manter sua forte influência sobre o clima do Brasil ao longo de outubro. Os modelos meteorológicos indicam a continuidade de um padrão favorável a chuvas frequentes no Centro-Sul do país, enquanto parte do Norte e do Nordeste deve permanecer mais quente e seca do que o normal.

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Os principais sinais típicos de um forte El Niño devem continuar predominando durante a primavera, influenciando diretamente a distribuição das chuvas e das temperaturas em diversas regiões do país. Confira a seguir o que esperar para outubro e qual o papel do El Niño no padrão previsto.

Anomalias de precipitação

O modelo ECMWF, de confiança da Meteored, prevê que os maiores desvios de chuvas acima da média devem se concentrar entre a metade norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com valores superiores a 50 mm acima da média. Chuvas acima da média também são esperadas para o Rio de Janeiro, Minas Gerais (exceto norte), metade sul de Goiás e sul do Mato Grosso do Sul, embora com desvios menores.

Chuvas abaixo da média estão previstas para toda a região Norte do país e grande parte do Nordeste, incluindo o litoral. Os maiores desvios negativos (mais de 50 mm abaixo da média) estão previstos para se concentrar na área que abrange a metade leste do Amazonas e metade oeste do Pará, se estendendo para norte em direção a Roraima. Este padrão é o mesmo observado até o dia 28 de setembro.

Previsão de anomalia de chuva (mm) para o mês de outubro, segundo o modelo ECMWF.
Previsão de anomalia de chuva (mm) para o mês de outubro, segundo o modelo ECMWF.

Na escala semanal, as previsões do ECMWF reforçam o sinal observado no mapa mensal, indicando chuva acima da média sobre grande parte da Região Sul e áreas adjacentes do Sudeste e Centro-Oeste durante todas as semanas de outubro.

Anomalias de temperatura

A previsão de anomalia de temperatura para outubro acompanha, em grande parte, o padrão esperado de precipitação. As maiores temperaturas acima da média devem ocorrer na Região Norte, com anomalias superiores a +4°C entre áreas de Roraima, Amazonas e Pará. Uma extensa faixa com desvios entre +2°C e +4°C deve se estender a partir dessa região em direção ao Nordeste.

De forma geral, a metade norte do país apresenta previsão de temperaturas persistentemente acima da média, com anomalias superiores a +1,5°C na maior parte da região e valores mais elevados em direção ao extremo norte da Amazônia.

No Brasil Central, a previsão indica temperaturas ligeiramente acima da média, com desvios predominantes entre +0,5°C e +1,5°C. Já na Região Sul, o modelo ECMWF aponta para temperaturas próximas da média, reflexo da atuação mais frequente de sistemas frontais, maior cobertura de nuvens e volumes de chuva acima da média.

Previsão de anomalia de temperatura (°C) para o mês de outubro, segundo o modelo ECMWF.
Previsão de anomalia de temperatura (°C) para o mês de outubro, segundo o modelo ECMWF.

Apesar disso, períodos de aquecimento temporário devem ocorrer entre a passagem dos sistemas, favorecendo episódios de calor pré-frontal, especialmente entre Santa Catarina, Paraná e o sul do Centro-Oeste. De forma geral, o contraste térmico entre o Norte e o Centro-Sul deve permanecer como uma das principais características do padrão atmosférico previsto para outubro.

A metade norte do Brasil deve permanecer sob temperaturas acima da média em todas as semanas, com os desvios mais expressivos concentrados entre Amazonas, Pará, Roraima e parte do Nordeste. Já no Centro-Sul, as anomalias tendem a ser mais modestas e diretamente influenciadas pelo padrão de chuva previsto para o período, com incursões de massas de ar frio principalmente no Rio Grande do Sul durante boa parte do mês.

El Niño: dos recordes aos impactos

O atual El Niño continua chamando atenção não apenas pela intensidade, mas também pelos recordes que vem alcançando. Recentemente, a temperatura média diária da superfície do mar na região Niño 3.4 atingiu 29,82°C, igualando o maior valor já observado durante o super El Niño de 2015-2016, registrado em novembro de 2015.

A diferença é que, enquanto naquele evento o aquecimento já estava próximo do pico, o El Niño de 2026-2027 ainda segue em fortalecimento e deve continuar ganhando intensidade durante a primavera do Hemisfério Sul.

Por esse motivo, existe existe uma chance enorme de que novos recordes sejam estabelecidos nas próximas semanas. As previsões dos principais centros meteorológicos indicam que o pico do fenômeno em 2026-2027 deve superar 3°C.

Temperatura média diária da superfície do mar na região de monitoramento do El Niño (3.4), destacando que o dia 25/09/2026 se igualou ao recorde da série histórica de 17/11/2025. Créditos: Meteored/Adaptado de Climate Reanalyzer.
Temperatura média diária da superfície do mar na região de monitoramento do El Niño (3.4), destacando que o dia 25/09/2026 se igualou ao recorde da série histórica de 17/11/2025. Créditos: Meteored/Adaptado de Climate Reanalyzer.

Esse aquecimento excepcional do Pacífico não afeta apenas o oceano. À medida que o El Niño se intensifica, a atmosfera responde com mudanças importantes na circulação de grande escala. Uma das mais relevantes para a América do Sul é o fortalecimento do jato subtropical, uma estreita faixa de ventos intensos em altos níveis da atmosfera que influencia a trajetória das frentes frias, ciclones e áreas de instabilidade.

Desde o fim de agosto e ao longo de setembro, esse corredor de ventos vem se mantendo excepcionalmente ativo e deslocado para norte de sua posição climatológica.

Como consequência, a principal rota dos sistemas meteorológicos também se deslocou para latitudes mais baixas, favorecendo a ocorrência de chuva entre Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e parte do Sudeste. Ao mesmo tempo, grande parte do Rio Grande do Sul permaneceu com precipitação abaixo da média durante as três primeiras semanas de setembro, evidenciando esse deslocamento para norte dos principais sistemas atmosféricos.

As previsões para outubro indicam a manutenção desse padrão. Com o jato subtropical ainda bastante fortalecido, frentes frias, ciclones e áreas de baixa pressão devem continuar encontrando condições favoráveis para se desenvolver e produzir episódios recorrentes de chuva forte sobre o Centro-Sul do Brasil.

Esse cenário ajuda a explicar por que estados como São Paulo vêm registrando acumulados históricos nas últimas semanas e reforça a tendência de continuidade das chuvas acima da média ao longo de outubro, especialmente entre o Sul, Mato Grosso do Sul e parte do Sudeste.