Chuvas intensas e granizo colocam em risco colheita do trigo no PR e SC
Trigo maduro no Paraná pode perder janelas de colheita com a chuva prevista entre domingo e segunda. Em Santa Catarina, lavouras em floração exigem inspeção de doenças; decisões dependem da fase, do solo e da previsão local.

Uma frente fria deve levar chuva ao Sul entre sábado (3) e segunda-feira (5), com acumulados superiores a 100 mm em pontos do Paraná e de Santa Catarina. No oeste do Paraná, em Santa Catarina e no norte gaúcho, a água ajuda o milho recém-plantado, mas pode frear a colheita do trigo.
O resultado depende da fase de cada talhão. Trigo maduro exige grão e solo em condições de colheita; espigas em floração ou enchimento precisam de vigilância fitossanitária quando permanecem molhadas. Pulverizações e trânsito de máquinas também podem ser afetados, conforme as condições locais.
Paraná: chuva volta à área de colheita no domingo
A instabilidade começa no Rio Grande do Sul no sábado (3), alcança Santa Catarina e Paraná no domingo (4) e persiste na segunda (5). A previsão indica mais de 100 mm em pontos dos dois últimos estados entre domingo e segunda, não uma média estadual. De 28 de setembro a 5 de outubro, o oeste paranaense pode atingir 150 mm.

No Paraná, a colheita do trigo já vinha sendo ajustada às pausas na chuva para preservar a qualidade. No oeste e sudoeste, talhões maduros podem ficar inacessíveis; grãos úmidos podem exigir secagem. A água favorece o milho recém-plantado se houver drenagem. Trigo ainda verde não deve ser colhido antecipadamente.
Santa Catarina: chuva prolonga o molhamento das espigas
A sequência úmida pressiona o trigo catarinense. A chuva retorna ao oeste de Santa Catarina no domingo (4) e na segunda (5); chega ao norte gaúcho no sábado (3). Na previsão acumulada de 28 de setembro a 5 de outubro, o sul catarinense e parte do território gaúcho podem alcançar 150 mm em pontos isolados. O total não corresponde só ao fim de semana.

Na floração, a umidade persistente pode favorecer giberela se também houver inóculo e condições térmicas adequadas. O risco cresce com espigas molhadas por mais de 48 horas e temperaturas de 20°C a 25°C; trata-se de referência da doença, não de previsão. Ferrugens, oídio e manchas foliares também exigem observação conforme o estágio. Em áreas maduras de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, pesam a qualidade e o acesso das colhedoras.
Até terça-feira: separar colheita de vigilância fitossanitária
Antes de sábado (3), trigo maduro no Paraná exige checagem da umidade dos grãos, do solo e da secagem. Em Santa Catarina, vale registrar a fase das espigas e acompanhar o molhamento real; no Rio Grande do Sul, a instabilidade começa antes.
A decisão sobre pulverização deve considerar diagnóstico, cultivar, previsão local e orientação agronômica. Espigas molhadas não confirmam giberela. Onde milho e trigo compartilham máquinas, a ordem das tarefas deve evitar compactação.
Três verificações ajudam a organizar a operação:
- Paraná, 4 e 5 de outubro: diante de picos previstos acima de 100 mm, conferir primeiro os talhões de trigo maduros e a possibilidade real de secagem.
- Santa Catarina, 4 e 5 de outubro: em trigo florido, comparar a duração do molhamento com a referência técnica de 48 horas e intensificar a inspeção.
- Rio Grande do Sul, desde 3 de outubro: verificar o tráfego do solo antes de deslocar máquinas; o volume local pode diferir dos totais previstos para Paraná e Santa Catarina.