Raro ‘tornado landspout’ chama a atenção no interior do Paraná; veja imagens

O surgimento repentino de um vórtice estreito na divisa municipal mobilizou técnicos e condutores que trafegavam pelas rodovias locais, revelando um processo atmosférico que se desenvolve a partir do solo.

Registro de um 'tornado landspout' em Ponta Grossa, no Paraná. Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Registro de um 'tornado landspout' em Ponta Grossa, no Paraná. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Uma nuvem em formato de funil assustou moradores na divisa entre os municípios de Ponta Grossa e Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná. O evento ocorreu por volta do meio-dia de quinta-feira (1), sem deixar feridos ou provocar estragos na região.

A passagem rápida chamou a atenção de quem transitava pelo trecho rodoviário local e registrou imagens da coluna giratória. Diante da repercussão dos vídeos, a ocorrência foi identificada como um fenômeno específico conhecido tecnicamente como tornado landspout.

O que caracteriza o fenômeno registrado no Paraná

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (SIMEPAR) classificou o episódio como um tornado de curta duração e intensidade branda. Diferente dos modelos convencionais mais destrutivos, essa dinâmica não depende de tempestades supercelulares.

A rotação surge próxima à superfície e não a partir do topo da tempestade. Quando o ar ascendente encontra esse vórtice rasteiro, ele o estica verticalmente até alcançar a base da cobertura de nuvens.

Uma moradora da região, que trabalha com transporte escolar, presenciou a formação enquanto seguia com o marido para buscar uma aluna. Ela relatou o impacto visual: "Aparentemente, ao vivo, parecia tocar o chão... A nuvem girava em torno de si mesma! Talvez no vídeo a gente não consiga ver isso muito bem, mas ao vivo era uma cena muito impressionante, algo que eu nunca tinha avistado antes".

A dinâmica técnica dos tornados do tipo landspout

Estudos meteorológicos definem o landspout como uma coluna estreita originada sob nuvens cumuliformes em desenvolvimento sem rotação prévia da nuvem-mãe. O processo decorre de zonas de convergência de ventos superficiais que concentram pequenos redemoinhos, chamados de misociclones.

Fenômeno de vento registrado nos Campos Gerais paranaenses mobilizou especialistas do Simepar após filmagens na estrada. Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Fenômeno de vento registrado nos Campos Gerais paranaenses mobilizou especialistas do Simepar após filmagens na estrada. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Conforme identificado em pesquisas pioneiras, essas estruturas surgem antes da maturação completa da instabilidade. Ao contrário de tornados clássicos, eles dispensam nuvens-parede e correntes descendentes de flanco traseiro.

Por causa dessa rápida evolução em camadas baixas, esses sistemas frequentemente escapam da detecção precoce por radares meteorológicos convencionais. Sua aparência física costuma ser delgada e sinuosa, lembrando o comportamento das trombas-d'água que acontecem sobre superfícies líquidas.

Avaliação de intensidade e a escala Fujita

No território brasileiro, o Simepar adota a versão tradicional da Escala Fujita para determinar o grau de severidade desses fenômenos atmosféricos. A categorização baseia-se na análise minuciosa dos danos causados em construções, árvores e postes da área afetada.

A escala classifica os eventos desde F0, com rajadas entre 65 km/h e 116 km/h associadas a danos leves, até o nível extremo F5, com ventos superiores a 418 km/h. A maior parte dos episódios de landspout permanece nas categorias F0 ou F1.

Contudo, centros como o National Weather Service alertam que turbilhões desse gênero podem atingir forças equivalentes a F2 ou F3 em situações específicas. Na ocorrência paranaense, a ausência de prejuízos confirmou o porte suave e a rápida dissipação do vórtice.

Referência da notícia

Millena Sartori e Kadu Mendes. (2026). Paraná registra 'tornado landspout'; entenda o que é o fenômeno.