Crise climática ameaça segurança alimentar na América Latina, alerta relatório da OMM

Extremos climáticos atingiram lavouras, infraestrutura rural e alimentos na América Latina e Caribe em 2025, segundo a OMM. Relatório mostra que furacões, enchentes e secas já pressionam produção, renda rural e abastecimento em diferentes países da região.

A OMM alerta que os impactos climáticos atingem produção, mercados e acesso aos alimentos na região.
A OMM alerta que os impactos climáticos atingem produção, mercados e acesso aos alimentos na região.

Extremos climáticos deixaram de ser apenas uma ameaça ambiental distante e

passaram a atingir diretamente a comida que chega à mesa. Em 2025, furacões, enchentes, secas e incêndios afetaram sistemas agroalimentares em diferentes pontos da América Latina e do Caribe, com impacto sobre lavouras, criação animal, pesca, estradas rurais e renda de pequenos produtores.

O ponto mais importante do relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) é que os prejuízos não ficaram restritos à perda de safra.

Os eventos atingiram, ao mesmo tempo, a produção, os ativos rurais, o funcionamento dos mercados e o acesso físico e econômico aos alimentos. Para o leitor brasileiro, a mensagem é clara: quando chuva extrema ou seca severa atingem áreas agrícolas, o efeito pode aparecer também no preço, na oferta e na qualidade dos alimentos.

Furacão Melissa expôs fragilidade do campo no Caribe

O caso mais forte vem da Jamaica. O furacão Melissa comprometeu pelo menos 149.412 hectares de terras agrícolas produtivas em paróquias importantes, afetando a segurança alimentar nacional e a capacidade de pequenos e médios produtores. O impacto avançou sobre granjas, estufas, estruturas pecuárias, estoques de ração e pontos de desembarque pesqueiro, mostrando que o dano no campo vai muito além da lavoura em pé.

Furacões, enchentes e secas em 2025 expuseram a vulnerabilidade dos sistemas agroalimentares, segundo a OMM.
Furacões, enchentes e secas em 2025 expuseram a vulnerabilidade dos sistemas agroalimentares, segundo a OMM.

No Haiti, o relatório estimou 33.113 hectares de cultivos anegados e outros 43.922 hectares de terras agrícolas sob risco de inundação. Em Cuba, houve perdas expressivas em banana, milho, mandioca, café e hortaliças. Os principais alertas foram:

  • perda direta de cultivos básicos;
  • danos a instalações rurais e sistemas de pesca;
  • risco ao abastecimento local de alimentos frescos;
  • maior pressão sobre pequenos produtores mais vulneráveis.

Enchentes atingiram alimentos frescos e produção periurbana

Na Argentina, as enchentes de março em Bahía Blanca afetaram sistemas produtivos periurbanos, com produtores relatando perda total de colheitas e animais de granja. Esse dado é importante porque áreas próximas às cidades costumam abastecer mercados locais com hortaliças, ovos, frutas e outros alimentos de ciclo curto, justamente os mais sensíveis a interrupções rápidas.

Nos países andinos, o alerta é ainda mais estratégico. O relatório destaca que cerca de 70% da produção nacional de hortaliças se concentra nessas áreas, onde crecidas podem danificar infraestrutura produtiva e dificultar o acesso aos mercados. No mapa, a imagem seria de corredores agrícolas cortados por rios, encostas e vales, em que chuva intensa pode bloquear estradas e atrasar o escoamento.

Brasil precisa olhar para seca, chuva forte e logística rural

Para o Brasil, o relatório funciona como alerta de planejamento. Em 2025, a seca severa se estendeu do Norte e Nordeste para estados agrícolas centrais, incluindo São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Também houve episódios de chuva intensa no Rio Grande do Sul, com acumulados elevados em municípios como Santa Maria, Rio Pardo, São Borja, Cruz Alta e Soledade.

Isso significa que a segurança alimentar depende cada vez mais de previsão, manejo e logística. A chuva pode salvar uma lavoura em déficit hídrico, mas também pode atrasar colheita, danificar estradas e aumentar perdas pós-colheita. Já o calor e a seca reduzem água no solo e pressionam irrigação, pastagens e hortaliças.

Referência da notícia

Estado del clima en América Latina y el Caribe 2025. 18 de maio, 2026. WMO.

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