Fotos aéreas revelam impacto do fechamento de canal do mar em SC há 90 anos
Imagens recentes do Canal do Linguado, no Litoral Norte catarinense, revelaram o forte contraste na coloração da água dividida por um aterro artificial construído há cerca de noventa anos.

Imagens aéreas divulgadas recentemente revelaram o nítido contraste na coloração das águas no Canal do Linguado, situado no Litoral Norte de Santa Catarina. O local está completamente bloqueado há cerca de noventa anos devido a um aterro artificial.
Essa obstrução física voltou a figurar no centro dos debates públicos em decorrência dos projetos de duplicação da rodovia federal BR-280. A proposta atual de reabertura do canal divide as opiniões de moradores locais, pescadores e pesquisadores regionais.
O impacto histórico e o fechamento do canal
O escoamento e o transporte regular de cargas ocorreram por meio das águas desse importante canal até o início do século passado. No ano de 1906, uma empresa inglesa obteve a concessão governamental e iniciou a construção de uma ferrovia regional.
A companhia estrangeira começou os trabalhos com a derrubada da vegetação nativa e planejou uma grande ponte metálica de 140 metros. A estrutura contava com três vãos de 40 metros, possuindo duas extremidades fixas e um vão central giratório para a navegação.

As pontes ferroviárias de ferro foram oficialmente inauguradas em 1910, garantindo a passagem dos trens comerciais carregados. Contudo, após duas décadas de uso contínuo, a intensa deterioração provocada pela ação do tempo gerou graves problemas estruturais e ambientais.
A partir de 1930, a estrutura metálica passou a apresentar fortes sinais de ferrugem e enfraquecimento acentuado. Diante do risco para o tráfego ferroviário, o Governo Federal decidiu aterrar totalmente o Canal do Linguado, concluindo o fechamento definitivo em 1935.
Proposta de reabertura e preocupações locais
A rodovia BR-280 atravessa atualmente a região sobre esse aterro histórico, o que provocou o acúmulo severo de sedimentos na água. A solução de engenharia prevista no projeto atual consiste na abertura de um vão de 100 metros na estrutura.
A obra também prevê a edificação de uma nova ponte com oito metros de altura livre, permitindo a retomada da navegação comercial. Uma simulação virtual demonstrou visualmente como a região deve ficar após as intervenções.
Apesar dos possíveis benefícios viários, a reabertura divide as opiniões dos moradores do município vizinho de Balneário Barra do Sul. Na localidade catarinense, aproximadamente 60% de toda a população residente depende diretamente da atividade pesqueira para sobreviver.
A Secretaria de Pesca do município manifestou receio quanto à movimentação dos detritos acumulados por décadas no fundo do mar. O representante do órgão explicou que os peixes capturados na área atualmente são saudáveis, temendo o impacto futuro sobre sua família.
Estudos científicos e os benefícios para a Babitonga
Em contrapartida, diversos pesquisadores da área ambiental defendem que a desobstrução trará impactos altamente positivos para a Baía Babitonga. Estudos detalhados são realizados na região desde 2018, analisando o comportamento hídrico e os sedimentos profundos do canal.
Além disso, houve o monitoramento da existência de contaminações por metais pesados, através de relatórios técnicos diretamente ao órgão federal DNIT. Esses levantamentos serviram de base científica sólida para a elaboração e sustentação da atual proposta de reabertura do Linguado.
Referências da notícia
Canal do Linguado: imagens mostram aspecto do mar. 18 de maio, 2026. Bárbara Siementkowski.
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