Calor e umidade abaixo de 20% pressionam lavouras de trigo e feijão no Brasil Central

Com a chuva afastada do Brasil Central, a umidade pode ficar abaixo de 20% nos próximos dias, elevando a demanda por irrigação em feijão terceira safra, trigo irrigado, hortaliças e pastagens do Cerrado em áreas agrícolas sensíveis.

No Brasil Central, a baixa umidade aumenta a perda de água do solo e pressiona o manejo das lavouras nos próximos dias.
No Brasil Central, a baixa umidade aumenta a perda de água do solo e pressiona o manejo das lavouras nos próximos dias.

A baixa umidade deve pressionar o Brasil Central nos próximos dias, com índices perto ou abaixo de 20% em pontos de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Tocantins, oeste da Bahia, sul do Maranhão, sul do Piauí e norte de Minas Gerais.

Entre esta sexta-feira e o início da próxima semana, a ausência de chuva significativa mantém tardes secas em Goiânia, Brasília, Palmas, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Gurupi, Araguaína, Sorriso e Primavera do Leste.

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O problema vai além do desconforto. Em áreas agrícolas, a combinação de sol, pouca nebulosidade e máximas entre 34°C e 36°C aumenta a perda de água pelo solo e pelas plantas. Isso exige atenção em feijão terceira safra, trigo irrigado, hortaliças e pastagens, especialmente onde a irrigação já trabalha no limite.

Tardes mais secas avançam de GO ao MATOPIBA nos próximos dias

O padrão atmosférico é típico do inverno no interior do país: a chuva fica restrita ao Sul, ao norte da Região Norte e ao litoral do Nordeste, enquanto uma massa de ar seco domina o Centro-Oeste e parte do MATOPIBA. A faixa mais crítica aparece do nordeste de Goiás ao Tocantins, passando pelo oeste da Bahia, sul do Maranhão e sul do Piauí.

Chuva acumulada até segunda-feira, 6 de julho, mostra o Brasil Central praticamente seco, enquanto os maiores volumes ficam no Norte, litoral do Nordeste e Sul do país.
Chuva acumulada até segunda-feira, 6 de julho, mostra o Brasil Central praticamente seco, enquanto os maiores volumes ficam no Norte, litoral do Nordeste e Sul do país.

Na prática, a umidade cai mais rápido entre o fim da manhã e o meio da tarde, quando a temperatura sobe e a nebulosidade diminui. Em Brasília e Goiânia, os menores índices tendem a ficar entre 20% e 30%, mas áreas mais secas de GO, TO, oeste baiano e sul do PI podem registrar valores próximos ou abaixo de 20%.

Feijão, trigo irrigado e hortaliças sentem mais a perda de água

A pressão maior recai sobre cultivos que dependem de umidade regular no solo. O feijão terceira safra pode sentir redução de pegamento de flores e enchimento de grãos quando há falhas no turno de irrigação. No trigo irrigado, o ar seco eleva a demanda evaporativa e pode exigir ajustes finos na lâmina d’água. Hortaliças folhosas, tomate, cebola, batata e frutíferas jovens também respondem rapidamente ao déficit de água.

Os pontos de atenção ficam claros:

• GO e DF: tardes secas aumentam a demanda de irrigação em feijão, hortaliças e trigo irrigado;
• oeste da BA: Barreiras e Luís Eduardo Magalhães seguem com sol forte e baixa nebulosidade;
• TO: Palmas, Gurupi e Araguaína podem ter máximas acima de 33°C e umidade muito baixa;
• MT: Sorriso e Primavera do Leste seguem secos, mas com menor risco que o eixo GO-TO-MATOPIBA.

Sem chuva ampla, manejo precisa mirar as horas críticas

A tendência é de manutenção do tempo firme na maior parte do Brasil Central até o início da próxima semana. O alívio por chuva deve ser limitado, com instabilidade mais provável fora do núcleo seco: no Sul, no norte do Amazonas, em Roraima, Amapá, norte do Pará e litoral nordestino. Para GO, DF, TO, oeste da BA, sul do MA, sul do PI e norte de MG, o sinal dominante segue seco.

Anomalia de temperatura traz o ar mais quente sobre o Brasil Central, mantendo tardes acima da média e maior demanda de água em lavouras irrigadas.
Anomalia de temperatura traz o ar mais quente sobre o Brasil Central, mantendo tardes acima da média e maior demanda de água em lavouras irrigadas.

Nos próximos dias, o manejo deve priorizar irrigação nas horas de menor perda, monitoramento da umidade do solo e cuidado com aplicações em tardes de ar muito seco. Em estradas rurais, a poeira também pode aumentar. Algodão e parte do milho aproveitam o tempo firme, mas feijão, trigo irrigado, hortaliças e pastagens seguem mais vulneráveis.