Alerta no RS: Chuvas de até 100 mm aceleram canela-preta e travam manejo da canola

A canela-preta aumenta nas lavouras de canola do Rio Grande do Sul durante a floração, enquanto sucessivos episódios de chuva mantêm plantas úmidas, restringem operações e exigem monitoramento por talhão até quinta-feira nas principais regiões produtoras gaúchas.

Canola em floração com sintomas de canela-preta, doença favorecida pelo tempo úmido e pela chuva frequente.
Canola em floração com sintomas de canela-preta, doença favorecida pelo tempo úmido e pela chuva frequente.

A canela-preta aumentou em lavouras de canola do Rio Grande do Sul quando os cultivos avançam para a floração. Após acumulados semanais de 0 a 200 mm, com 303,8 mm em Ilópolis, a previsão indica mais chuva entre esta segunda-feira (3) e quinta-feira (6), incluindo Missões, Campanha e Planalto.

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O ambiente úmido prolonga o molhamento das plantas e dificulta a entrada de máquinas para monitoramento e manejo.

Trigo e cevada também enfrentam restrições operacionais, mas, na canola, a coincidência entre doença já observada e fase reprodutiva exige avaliação por talhão, sem presumir perdas de produtividade.

O registro estadual indica aumento de incidência, não contaminação uniforme de todas as áreas. Por isso, intensidade, localização das lesões, cultivar utilizada e histórico de rotação precisam ser considerados antes de relacionar a doença com eventual redução do potencial produtivo.

Umidade encontra canola em floração nas Missões e no Planalto

Entre 23 e 29 de julho, a chuva variou de 0 a 200 mm no estado e superou esse intervalo em pontos isolados. Ilópolis somou 303,8 mm, enquanto áreas do Noroeste permaneceram com solo muito úmido. Nesse cenário, a canola evoluiu para a floração e a assistência estadual registrou maior incidência de doenças como a canela-preta.

A umidade do solo permanece elevada no Sul do Brasil entre 3 e 5 de agosto, limitando o acesso às lavouras e as operações de manejo.
A umidade do solo permanece elevada no Sul do Brasil entre 3 e 5 de agosto, limitando o acesso às lavouras e as operações de manejo.

A doença pode produzir lesões nas folhas e nos caules, comprometendo a circulação de água e nutrientes quando progride. Alta umidade e temperaturas amenas favorecem seu desenvolvimento, mas a resposta varia entre híbridos, histórico da área e intensidade da infecção.

Em Erechim, Ijuí e Passo Fundo, a vistoria deve separar sintomas localizados de problemas distribuídos pela lavoura. Ainda assim, a simples presença de manchas não permite calcular o rendimento final, que dependerá da evolução sanitária e do tempo nas semanas seguintes.

Chuva volta a ganhar abrangência entre quarta e quinta-feira

Nesta segunda-feira (3), há previsão de chuva e rajadas localizadas no Rio Grande do Sul. Na terça-feira (4), a precipitação tende a ficar mais isolada, mas um novo sistema volta a espalhar instabilidade na quarta-feira (5). Na quinta-feira (6), aumenta o potencial de chuva forte e tempestades, especialmente sobre o estado, o Oeste catarinense e o Oeste paranaense.

A chuva volta a ganhar abrangência no Rio Grande do Sul até quinta-feira, mantendo elevada a umidade nas áreas produtoras de canola. 12:25 PM
A chuva volta a ganhar abrangência no Rio Grande do Sul até quinta-feira, mantendo elevada a umidade nas áreas produtoras de canola. 12:25 PM

Para áreas produtoras próximas de Santa Rosa, Cruz Alta e Vacaria, sucessivos períodos úmidos podem reduzir as janelas de pulverização e prolongar o molhamento do dossel durante a floração.

  • Missões: chuva localizada no dia 3 e nova instabilidade no dia 5 exigem vistoria antes de qualquer aplicação;
  • Planalto: até 100 mm no período podem manter acessos e solos com baixa capacidade de suporte;
  • Noroeste: após acumulados elevados, máquinas devem entrar somente quando o terreno evitar compactação;
  • Serra: chuva e baixa insolação podem dificultar a secagem das plantas e a leitura dos sintomas.

Manejo por talhão deve continuar após a melhora do tempo

O risco fitossanitário não termina imediatamente quando a chuva diminui. Depois de 2 a 100 mm, folhas e hastes podem permanecer úmidas, sobretudo em lavouras densas de Ijuí, Santa Rosa e Erechim. O produtor deve registrar a distribuição das lesões, comparar híbridos e observar se os sintomas alcançam o colo ou o caule antes de definir qualquer intervenção.

Pulverizações devem respeitar vento, intervalo sem chuva, condições do terreno e registro do produto para a cultura. A rotação com espécies não hospedeiras e o uso de híbridos resistentes fazem parte da prevenção, mas não substituem o diagnóstico local. Em Cruz Alta, Passo Fundo e Vacaria, decisões sobre defensivos e maquinário devem ser ajustadas com assistência agronômica, estágio da floração e histórico de canola na área.