Sistemas de tempestades na Antártica estão ficando mais frequentes e intensos: eis os impactos
As tempestades de inverno no sudoeste do Mar de Ross tornaram-se mais frequentes e intensas entre 1964 e 2024, com consequências significativas.

Os invernos na região do Mar de Ross, na Antártica, tornaram-se mais tempestuosos nas últimas décadas, afetando as condições do gelo marinho e as operações de campo, segundo uma nova pesquisa da Universidade de Otago – Ōtākou Whakaihu Waka.
Publicado na revista Geophysical Research Letters, o estudo utilizou dados de estações meteorológicas sobre pressão atmosférica e temperatura para analisar o comportamento de sistemas de tempestade entre 1964 e 2024.
Tempestades mais intensas e frequentes
Os pesquisadores constataram que as tempestades de inverno no sudoeste do Mar de Ross tornaram-se mais frequentes e intensas durante esse período, apresentando também maior variabilidade. Invernos de tempestades excepcionais tendiam a alternar-se, a cada dois anos, com estações incomumente calmas.
A autora principal, Antonia Radlwimmer — que realizou a pesquisa como parte de seu doutorado no Departamento de Física da Universidade de Otago —, afirma que, durante os invernos de tempestades particularmente fortes de 2019, 2022 e 2024, o gelo fixo — gelo marinho aderido à costa, a plataformas de gelo ou a icebergs encalhados — levou consideravelmente mais tempo para se formar no estreito ao sul, uma vez que as tempestades fragmentavam repetidamente o gelo marinho recém-formado.
O coautor do estudo, Dr. Greg Leonard, da Escola de Topografia de Otago, afirmou que os pesquisadores analisaram imagens de satélite para determinar os períodos de formação e fragmentação sazonal do gelo marinho, a fim de avaliar o impacto das tempestades de inverno na espessura do gelo.

"Tempestades de inverno intensas resultaram em um gelo fixo mais fino durante a primavera e o início do verão, pois o gelo se formou mais tarde e teve menos tempo para ganhar espessura", explicou o Dr. Leonard.
A Sra. Radlwimmer ainda comentou que isso pode afetar projetos de pesquisa.
"A primavera e o início do verão são as épocas em que realizamos operações de campo. Como resultado, o gelo sobre o qual trabalhamos está mais fino do que estaria se não fossem essas tempestades", disse ela.
As condições do gelo marinho são fundamentais para o trabalho de campo, pois, se o gelo estiver muito fino, não consegue suportar o peso de grandes acampamentos.
Isso é particularmente importante na região do Estreito de McMurdo, que conecta o Mar de Ross à Plataforma de Gelo de McMurdo. A área também abriga a estação de pesquisa Scott Base, da Nova Zelândia, e a Estação McMurdo, dos Estados Unidos — a maior instalação de pesquisa na Antártica.
"Além disso, o monitoramento do gelo marinho de inverno só pode começar mais tarde no ano. Isso significa que perdemos muitos dos processos mais interessantes que ocorrem em pleno inverno", disse a Sra. Radlwimmer. "Seria maravilhoso desenvolver mais técnicas de monitoramento que pudessem operar durante o início e o meio do inverno, mesmo quando não houvesse uma camada segura de gelo marinho sobre a qual instalá-las", acrescentou.
Referência da notícia
Antonia L. Radlwimmer, et al. Increasing winter storminess in the southern Ross Sea, Antarctica, and its impact on land‐fast sea‐ice. Geophysical Research Letters.