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Poluição do ar: a grande ameaça à saúde das crianças

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 90% das crianças do mundo estão respirando um ar mais poluído que o recomendado. Isso coloca em risco a saúde e o desenvolvimento da nova geração.

Paola Bueno Paola Bueno 06 Nov. 2018 - 10:56 UTC
Milhares de crianças morrerem todos os anos devido a efeitos diretos ou indiretos da poluição do ar.

O novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) lançado no dia 29 de outubro, alerta o mundo para um grande problema resultante dos nossos atuais hábitos de produção e consumo, a poluição do ar. Um dos pontos mais relevantes e preocupante desse relatório é o levantamento feito que estima que 93% das crianças do mundo respiram um ar com níveis de poluição acima do recomendado.

A poluição do ar tem impactos terríveis na saúde humana, principalmente na saúde das crianças. Mais de 1 em cada 4 mortes de crianças abaixo dos 5 anos está associado a problemas ambientais e, apesar de esse ser um problema global, essa taxa é maior nos países mais pobres e subdesenvolvidos, como países da África e Ásia. Globalmente, a exposição à poluição do ar, tanto em ambiente externo (ar livre) quanto interno (dentro das residências), é responsável por 7 milhões de mortes prematuras a cada ano.

As crianças estão expostas a poluição tanto fora quanto dentro de suas casas. No ambiente externo as principais fontes de poluentes são as indústrias, a queima de combustíveis fósseis, a queima de lixo, práticas agrícolas e alguns processos naturais como as queimadas, tempestades de areia e erupções vulcânicas. Essa poluição de origem externa foi responsável pela morte prematura de 4.2 milhões de crianças em 2016 de acordo com a OMS, sendo 300 000 mortes de crianças abaixo dos 5 anos de idade.

A poluição externa, como a das grandes cidades, foi responsável pela morte prematura de mais de 4 milhões de crianças.

Cerca de 41% da população mundial utilizou fontes poluidoras dentro de suas residências em 2016, a maioria delas em países de baixa renda. Essa poluição interna é gerada pela queima de materiais como lenha, carvão e querosene em fogões e sistemas de aquecimento e, em 2016, foi responsável pela morte prematura de 3.8 milhões de crianças em 2016. Esse número representa 6.7% da mortalidade global, sendo maior que a causada por doenças como malária, tuberculose e HIV/AIDS juntas.

Mas por que as crianças correm mais risco do que os adultos? As crianças são especialmente mais vulneráveis durante o desenvolvimento fetal e seus primeiros anos de vida, quando seus pulmões, cérebro e demais órgãos estão se desenvolvendo. Elas possuem uma respiração mais rápida que os adultos, fazendo com que elas inalem mais ar e, consequentemente, mais poluição. Além disso, devido sua altura elas ficam mais próximas ao chão, onde alguns dos poluentes atingem sua concentração máxima.

Como a poluição do ar prejudica a saúde das crianças?

Diversos estudos têm mostrado que a exposição a poluição do ar prejudica a saúde das crianças de diversas formas, algumas delas são:

  • Problemas no nascimento: Existem fortes evidências de que a exposição materna a poluição, especialmente a de material particulado fino, aumentam o risco de parto prematuro e baixo peso do recém-nascido.
  • Desenvolvimento neurológico: A poluição pode afetar negativamente o desenvolvimento mental e motor das crianças, resultando em baixo desenvolvimento cognitivo, influenciando no desenvolvimento de desordens, como autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
  • Doenças respiratórias: A poluição afeta negativamente o desenvolvimento pulmonar, deixando a criança mais propensa ao desenvolvimento de asma e outras infecções respiratórias
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