Como as erupções vulcânicas influenciam o clima terrestre?

Desde o início do mês de maio temos observado a intensa atividade do vulcão Kilauea no Havaí, jogando grandes quantidades de detritos e cinzas na atmosfera. Dessa forma, será que essa atividade vulcânica poderia impactar o clima terrestre?

Paola Bueno Paola Bueno 29 Maio 2018 - 05:07 UTC
As erupções vulcânicas liberam gases e partículas capazes de alterar o clima local e global.

Os vulcões são capazes de alterar o tempo e clima, tanto de forma local quanto global. Grandes erupções vulcânicas lançam enormes quantidades de gases vulcânicos, aerossóis – partículas em suspensão na atmosfera – e cinzas, que causam o aumento ou diminuição da temperatura da atmosfera.

Durante uma erupção vulcânica os principais elementos expelidos na atmosfera são partículas de poeira e cinzas, vapor de água e gases como o dióxido de enxofre (SO2) e gás carbônico (CO2), importante gás de efeito estufa. Apesar do CO2 estar associado ao aquecimento da atmosfera, a quantidade liberada em erupções vulcânicas nunca causou um aquecimento de temperatura detectável. Isso porque a quantidade liberada é muito inferior àquela liberada pelas atividades humanas.

O impacto mais significativo da erupção vulcânica ocorre na estratosfera – segunda camada atmosférica, situada entre os 11 e 50 km acima da superfície – onde o SO2 se converte em ácido sulfúrico, que condensa rapidamente formando aerossóis de sulfato. Esses aerossóis na estratosfera aumentam a reflexão da radiação solar de volta para o espaço, o que colabora para um esfriamento da camada inferior da atmosfera.

A lava em contato com o oceano forma uma nuvem tóxica, composta por SO2 e outros elementos.

Algumas erupções que ocorreram no século passado causaram uma significativa diminuição da temperatura da Terra, por períodos de um a três anos. Uma das mais marcantes foi a erupção do Monte Pinatubo em junho de 1991, que injetou 20 milhões de toneladas de SO2 na estratosfera, numa altitude de mais de 32 km. Isso causou um intenso resfriamento global que durou cerca de três anos, devido ao elevado tempo de vida que os aerossóis de sulfato têm na estratosfera.

Entretanto, nem toda erupção vulcânica resulta em um impacto global. Para que uma erupção cause efeitos no clima global ela precisa ser realmente muito intensa, não só produzir uma grande quantidade de material e partículas, mas também deve injetar uma grande quantidade de gases e partículas na estratosfera, principalmente o SO2.

De qualquer forma, alguns impactos locais são observados. Devido a grande nuvem de cinzas e vapor de água liberada pela a erupção, um dos principais efeitos é a ocorrência de chuvas com raios e trovões. A presença dessa intensa pluma de cinzas e aerossóis também causam um resfriamento da temperatura local. Além disso, a concentração de SO2 próximo à superfície piora a qualidade do ar e colabora com a ocorrência de chuva ácida.

A erupção do Kilauea

A erupção do vulcão Kilauea no Havaí, que ocorre desde o início de maio, apesar da enorme quantidade de cinzas e lava expelida, não é grande o suficiente para causar um impacto no clima global. Apesar de liberar uma grande quantidade de SO2, a nuvem de cinzas da erupção do Kilauea não atinge altitudes superiores a 10 km, não atingindo a estratosfera.

O principal impacto da erupção do Kilauea é no clima local, devido à grande quantidade de SO2 que tem expelido, o que prejudica principalmente a saúde da população local. Além disso, o fluxo de lava em contato com o oceano tem formado grandes nuvens tóxicas compostas por SO2, cacos de vidro e ácido clorídrico. Entretanto a concentração desses gases deve diminuir ao longo dos dias, devido a ação dos ventos e chuva.

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