O arquipélago de SP que virou um santuário para tubarões ameaçados de extinção; veja onde fica
Um arquipélago no litoral norte de São Paulo virou um refúgio para a reprodução de uma espécie de tubarão que está ameaçada de extinção, o tubarão-mangona. Saiba mais aqui.

Pesquisadores descobriram que um arquipélago no litoral norte do estado de São Paulo é uma área de refúgio para tubarões ameaçados de extinção, que usam o local não apenas para acasalamento, mas também para gestação.
Os resultados do estudo foram divulgados recentemente em um artigo publicado na revista Journal of Fish Biology, e a pesquisa foi liderada por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em São Vicente e do Instituto de Pesca.
Os resultados do estudo
O tubarão-mangona (Carcharias taurus), também chamado de cação-mangona, possui corpo robusto, dentes longos e pontiagudos visíveis mesmo com a boca fechada, e comportamento calmo e lento.
É uma espécie que está criticamente em perigo (CR), ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Entre os fatores que a colocam nesta categoria estão a perda de habitat, a poluição marinha, as mudanças climáticas e a pesca incidental.
E o estudo em questão constatou que este animal utiliza o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, uma unidade de conservação (UC) a 35 km da costa de São Sebastião (SP), para acasalar e se reproduzir.
O que reforça isso é o fato de que foram registrados machos adultos, fêmeas com marcas (mordidas) de acasalamento e uma fêmea grávida na UC, indicando que o local é usado em fases críticas do ciclo de vida da espécie.
Até então, as pesquisas disponíveis confirmavam apenas que os tubarões-mangona acasalavam na Argentina, no Uruguai e no sul do Brasil e depois migravam para as águas mais quentes da costa sudeste brasileira para a gestação e parto.
Para descobrirem isso, foram alguns anos de estudo e observações: durante os verões e os invernos de 2022, 2023, 2024 e 2025. Os pesquisadores utilizaram sistemas de estéreo-filmagens subaquáticas remotas com isca (BRUVs na sigla em inglês) para atrair, filmar e medir os animais do arquipélago, sem causar perturbações.
Os dados coletados permitem afirmar que tal espécie pode ser observada no Arquipélago de Alcatrazes nos meses de inverno e verão, incluindo agregações de até dez indivíduos.

“Nossos resultados reforçam a importância dessa unidade de conservação em particular, mas também de outras áreas onde a pesca é controlada, para proteger os tubarões costeiros. Além disso, ao revelar a dinâmica espacial e temporal da espécie, o estudo pode dar suporte para estratégias de conservação”, finalizou Motta.
Algumas informações sobre a espécie
A fêmea do tubarão-mangona possui gestação estimada entre 9 e 12 meses e pode se reproduzir a cada dois anos, normalmente gerando apenas dois filhotes por gestação. Porém, esta baixa fecundidade é uma das fragilidades da espécie, que não dá conta de suportar a pressão da pesca e outros impactos.
A espécie é costeira, mas pode fazer incursões esporádicas em regiões oceânicas. Alimenta-se de uma grande variedade de peixes ósseos, raias, lulas, polvos e crustáceos. Quando adulto, o animal pode atingir até três 3 metros de comprimento e cerca de 150 quilos.
Referência da notícia
Athayde, et al. (2026). Subtropical marine reserve as key habitats for the critically endangered sand tiger shark (Carcharias taurus) in the Southwestern Atlantic.
Tamura, G. (2026). Tubarão-mangona utiliza litoral paulista como local de reprodução.
Agência Fapesp. (2026). Arquipélago em São Paulo serve de área de reprodução para tubarões ameaçados de extinção.