Sul sob alerta: novo episódio de temporais traz mais de 100 mm em 48h; veja as áreas em risco
Julho deve terminar com mais um evento extremo de tempestades intensas e chuvas volumosas sobre no Sul do Brasil. O estado mais afetado deve ser o Rio Grande do Sul, área recentemente impactada e muito vulnerável a novos transtornos.

Um novo episódio de tempestades severas com acumulados elevados de chuva já tem data para chegar na região Sul do Brasil, que ainda se recupera das chuvas desta semana. Já no domingo (26), tempestades devem se formar sobre todo o território, afetando principalmente o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e metade oeste do Paraná, podendo ser localmente intensas.
Entre segunda (27) e terça-feira (28), no entanto, as tempestades se fortalecem e atuam de forma mais organizada sobre a região, com elevado risco de granizo, rajadas intensas de vento e acumulados que podem superar 100 mm em 48 horas. Confira os detalhes.
Alerta de tempestades intensas
A atuação do jato de baixos níveis (JBN) da América do Sul - corredor intenso de ventos de norte para sul a leste da Cordilheira dos Andes - irá transportar muito calor e umidade (rio atmosférico) em direção ao Sul do país a partir de segunda-feira (27). As temperaturas podem superar 10°C acima da média em alguns horários do dia.

Calor e umidade em baixos níveis da atmosfera são ingredientes para tempestades intensas. Quando existe um mecanismo de gatilho (como passagem de um frente fria, por exemplo) que força este ar a subir, nuvens verticalmente extensas, com grande conteúdo de água e gelo (granizo) se formam.
Na segunda-feira (27), tempestades intensas devem começar a se formar no oeste do Rio Grande do Sul e avançar em direção à leste, deixando alerta para praticamente todas as regiões do estado gaúcho, podendo afetar também a região de fronteira em Santa Catarina. O maior potencial de severidade deve ocorrer no Oeste, Noroeste e Centro do Rio Grande do Sul, com risco de granizo e danos por vento.

Na terça-feira (28) o potencial de severidade se eleva ainda mais, e espera-se a ocorrência de tempestades violentas em praticamente todas as regiões do Rio Grande do Sul, com um risco muito elevado de granizo e, consequentemente, chuvas muito intensas, grande quantidade de raios e eventos extremos de vento - desde rajadas a microexplosões e tornados isolados.

Ao longo da quarta-feira (29), enquanto o Rio Grande do Sul segue com alerta para tempestades, os sistemas também avançam sobre Santa Catarina e o Paraná, onde também devem ser intensos. Há risco de granizo sobre o Rio Grande do Sul, mas também no oeste de Santa Catarina e Paraná, e no sudeste do estado catarinense.
Alerta de chuvas extremas
As chuvas associadas com as tempestades entre segunda (27) e terça-feira (28) têm potencial para serem extremas ou, no mínimo, incomuns. O índice de previsão extrema (EFI) do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, ressalta áreas onde os acumulados diários previstos pelo modelo são muito diferentes do que normalmente acontece em determinada região e época do ano.
Neste contexto, o mapa abaixo mostra na escala de cores em amarelo e vermelho a região em alerta para volumes ‘incomuns a extremos’ (esquerda), entre segunda (27) e terça-feira (28), comparado a valores de referência (quantil 99, à direita).

De uma forma simples: a área destacada no mapa à esquerda mostra a região com maior probabilidade de ultrapassar o valor de referência mostrado no mapa à direita, considerado extremo com base na estatística da região. No caso do Rio Grande do Sul, isso significa que a precipitação em 2 dias provavelmente vai superar 80 a 100 mm.
De fato, isso pode ser verificado na rodada atual de previsão do modelo, que destaca áreas com acumulados de cerca de 120 mm sobre o estado gaúcho até o final da terça-feira (28).

Em Santa Catarina e Paraná os maiores acumulados devem ocorrer entre quarta (29) e quinta-feira (30), afetando principalmente a metade oeste com volumes também podem se aproximar 100 mm.
Eventos extremos são desafiadores para os modelos meteorológicos. A localização dos maiores acumulados de chuva pode sofrer alterações até a próxima semana, sendo extremamente importante continuar monitorando a evolução do evento.
A tendência atual indica que o evento extremo deve ocorrer sobre uma área recentemente impactada e bastante vulnerável, elevando potencial para transtornos ao encontrar rios com leitos cheios e solo úmido. Mesmo que os volumes não sejam tão elevados quanto no último episódio, podem ser suficientes para novos alagamentos, inundações e deslizamentos de terra.