Com tempo seco e queimadas, risco de incêndios atinge nível extremo no interior de SP

Responsáveis por 90% dos focos de incêndio segundo a Defesa Civil, ações humanas acendem o sinal de alerta no interior de São Paulo durante a estiagem prolongada.

Ações humanas causam a maioria das queimadas no interior de SP. Foto: Divulgação/Defesa Civil
Ações humanas causam a maioria das queimadas no interior de SP. Foto: Divulgação/Defesa Civil

Enquanto o estado do Rio Grande do Sul enfrenta sérios transtornos provocados pelo excesso de chuvas e enchentes, o estado de São Paulo vivencia um cenário meteorológico oposto. Marcado pela estiagem prolongada e pela baixa umidade do ar, o interior paulista registra um aumento preocupante na incidência de queimadas e focos de incêndio.

No último domingo (19), a Defesa Civil do Estado de São Paulo divulgou um alerta para o risco elevado de incêndios vegetais nas regiões central, leste e oeste. A região de Araçatuba foi classificada em situação de risco extremo, evidenciando o perigo imposto pelas altas temperaturas e pela escassez de precipitações no território estadual.

Aumento dos focos de incêndio e ações de prevenção nas cidades

Em Andradina, após breves episódios de chuva, o clima voltou a ficar bastante quente e seco. O coordenador da Defesa Civil municipal, Fabrício Mazotti, explicou que o período atual agrava a ocorrência de queimadas, visto que o calor e a estiagem aumentam os perigos para a população e o meio ambiente, sobretudo nas áreas rurais com lavouras de cana-de-açúcar.

Operação SP Sem Fogo está capacitando municípios contra incêndios rurais. Foto: Instagram/ @conexao_geoclima
Operação SP Sem Fogo está capacitando municípios contra incêndios rurais. Foto: Instagram/ @conexao_geoclima

Levantamentos da Defesa Civil estadual indicam que 90% dos incêndios têm origem em ações humanas cotidianas, como o descarte inadequado de bitucas de cigarro em rodovias ou práticas de produção rural sem controle. Em Barra Bonita, por exemplo, um incêndio de grandes proporções assustou moradores na noite de quarta-feira (22), com imagens registradas nas redes sociais.

Diante dessa vulnerabilidade, os municípios paulistas buscam reforçar a preparação de suas equipes de resposta. Nos dias 28 e 29 de maio, a Estância Turística de Barra Bonita sediou uma etapa de capacitação da Operação SP Sem Fogo 2026, organizada para capacitar profissionais no combate a incêndios em vegetação. O treinamento reuniu mais de 200 representantes de 39 municípios da região de Bauru.

Riscos para a segurança pública e orientações para a população

Os impactos das queimadas urbanas ultrapassam as perdas ambientais e atingem diretamente a segurança e a saúde pública. Atear fogo em terrenos, folhas secas, lixo ou restos de poda pode provocar incêndios de grandes proporções e colocar a vida humana em situação de risco direto.

A vegetação ressecada e os ventos fortes fazem com que as chamas se alastrem rapidamente, atingindo residências, áreas de preservação ambiental e redes de energia elétrica. Além disso, a fumaça densa prejudica a visibilidade nas estradas, elevando o risco de acidentes de trânsito, e agrava problemas respiratórios em crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares.

Para evitar novas tragédias, especialistas recomendam que os moradores mantenham terrenos limpos por meio de capina e jamais utilizem o fogo para descarte de resíduos. Também orienta-se não soltar balões, não atirar bitucas nem abandonar garrafas de vidro ou materiais inflamáveis em locais expostos ao calor, evitando o início de novas queimadas.

Referência da notícia

Prefeitura de Andradina. (2026). Região está em situação de risco extremo de incêndios.
Conexão GeoClima. (2026). Enquanto o Sul enfrenta enchentes, o interior de São Paulo sofre com incêndios.
Prefeitura de Barra Bonita. (2026). Mais de 200 profissionais se reúnem em Barra Bonita para capacitação regional contra incêndios.