Museu na Amazônia tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul

Estudo internacional revela importância estratégica do acervo amazônico do Museu Paraense Emílio Goeldi para pesquisas sobre biodiversidade, conservação ambiental, mudanças climáticas e doenças zoonóticas em toda a América do Sul.

Coleção de Mamíferos do Museu Goeldi é referência sobre espécies amazônicas e destaque internacional. Crédito: Woltaire Masaki/MPEG
Coleção de Mamíferos do Museu Goeldi é referência sobre espécies amazônicas e destaque internacional. Crédito: Woltaire Masaki/MPEG

O Museu Paraense Emílio Goeldi ocupa posição de destaque entre os maiores acervos científicos da América do Sul. Um levantamento internacional identificou a instituição paraense como detentora da terceira maior coleção de mamíferos do continente, reunindo 46.903 espécimes catalogados.

O número coloca o museu atrás apenas do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 89.726 exemplares, e do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos, no Peru, com 52.905 registros.

O estudo analisou 141 coleções científicas sul-americanas, responsáveis por preservar um total de 746.548 espécimes de mamíferos. Os resultados foram publicados em artigo divulgado pelo Biological Journal of the Linnean Society. O levantamento também destacou o Brasil como o país com o maior número de espécimes catalogados na América do Sul, totalizando 334.950 registros.

Acervo amazônico reúne espécies raras e históricas

Entre as instituições analisadas, o Museu Goeldi ganhou relevância não apenas pelo volume de exemplares, mas também pela representatividade de espécies amazônicas. A coleção ocupa a segunda posição no Brasil e a quarta maior da América Latina. Segundo a pesquisadora Alexandra Bezerra, coautora do estudo e bolsista do programa Conhecimento Brasil, a trajetória histórica da instituição contribuiu decisivamente para esse reconhecimento.

Fundado em 1866, o Museu Goeldi iniciou a formação de sua coleção zoológica ainda no século XIX. Parte significativa do material foi incorporada ao longo do tempo a partir de animais do Parque Zoobotânico, em Belém, além de expedições científicas realizadas em diferentes regiões amazônicas. Muitos dos exemplares mais antigos vieram da região de Taperinha, em Santarém, área conhecida por pesquisas de história natural desenvolvidas desde os séculos XIX e XX.

O acervo reúne principalmente mamíferos de médio porte, carnívoros e primatas, além de espécies raras e ameaçadas de extinção, como a onça-pintada (Panthera onca) e o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis). A coleção também abriga cerca de 70 espécimes-tipo, considerados fundamentais para a identificação e descrição de novas espécies científicas.

Pesquisa aponta lacunas e desafios estruturais

Embora os resultados demonstrem a importância das coleções científicas sul-americanas, o estudo revelou problemas comuns enfrentados pelas instituições. Entre os principais desafios estão a escassez de profissionais especializados, limitações de infraestrutura para conservação adequada do material biológico, digitalização incompleta dos acervos e dificuldades de sustentabilidade financeira.

Campus de Pesquisa do Museu Goeldi (foto). Unidade de pesquisa sofre com falta de financiamento público em estrutura e recursos humanos. Crédito: Divulgação/MCTI
Campus de Pesquisa do Museu Goeldi (foto). Unidade de pesquisa sofre com falta de financiamento público em estrutura e recursos humanos. Crédito: Divulgação/MCTI

No caso do Museu Goeldi, a coleção de mamíferos está sem curador desde 2025, após a aposentadoria de um pesquisador da instituição. Apesar disso, a instituição apresenta um diferencial importante: todos os dados do acervo estão digitalizados e grande parte das informações já se encontra disponível no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr).

A pesquisadora Alexandra Bezerra ressalta que o acesso ao material é mantido para cientistas do Brasil e do exterior, desde que sejam respeitados protocolos específicos de conservação. Por serem exemplares raros e delicados, as peças precisam ser manipuladas apenas por especialistas e para finalidades científicas claramente definidas.

Coleções científicas fortalecem conservação e educação

Os autores do estudo destacam que o fortalecimento das coleções científicas é estratégico para enfrentar problemas globais, como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e disseminação de doenças zoonóticas. Segundo Alexandra, muitos estudos sobre patógenos ainda deixam de preservar os chamados espécimes-testemunho, o que dificulta a identificação correta das espécies associadas às pesquisas.

Nesse contexto, iniciativas de divulgação científica e educação ambiental também ganham relevância. O Museu Goeldi promove anualmente o programa “Museu de Portas Abertas”, permitindo que a população conheça espaços científicos de forma gratuita e interativa, aproximando o público da importância da preservação da biodiversidade amazônica.

Outra ação recente da instituição foi a publicação de cartilhas educativas sobre seus bancos biológicos. Entre elas está o material dedicado à coleção mastozoológica, ampliando o acesso às informações sobre um dos mais importantes patrimônios científicos da Amazônia.

Referências em notícia

MCTI. Museu Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul. 2026

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