Museu na Amazônia tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul
Estudo internacional revela importância estratégica do acervo amazônico do Museu Paraense Emílio Goeldi para pesquisas sobre biodiversidade, conservação ambiental, mudanças climáticas e doenças zoonóticas em toda a América do Sul.

O Museu Paraense Emílio Goeldi ocupa posição de destaque entre os maiores acervos científicos da América do Sul. Um levantamento internacional identificou a instituição paraense como detentora da terceira maior coleção de mamíferos do continente, reunindo 46.903 espécimes catalogados.
O número coloca o museu atrás apenas do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 89.726 exemplares, e do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos, no Peru, com 52.905 registros.
O estudo analisou 141 coleções científicas sul-americanas, responsáveis por preservar um total de 746.548 espécimes de mamíferos. Os resultados foram publicados em artigo divulgado pelo Biological Journal of the Linnean Society. O levantamento também destacou o Brasil como o país com o maior número de espécimes catalogados na América do Sul, totalizando 334.950 registros.
Acervo amazônico reúne espécies raras e históricas
Entre as instituições analisadas, o Museu Goeldi ganhou relevância não apenas pelo volume de exemplares, mas também pela representatividade de espécies amazônicas. A coleção ocupa a segunda posição no Brasil e a quarta maior da América Latina. Segundo a pesquisadora Alexandra Bezerra, coautora do estudo e bolsista do programa Conhecimento Brasil, a trajetória histórica da instituição contribuiu decisivamente para esse reconhecimento.
O acervo reúne principalmente mamíferos de médio porte, carnívoros e primatas, além de espécies raras e ameaçadas de extinção, como a onça-pintada (Panthera onca) e o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis). A coleção também abriga cerca de 70 espécimes-tipo, considerados fundamentais para a identificação e descrição de novas espécies científicas.
Pesquisa aponta lacunas e desafios estruturais
Embora os resultados demonstrem a importância das coleções científicas sul-americanas, o estudo revelou problemas comuns enfrentados pelas instituições. Entre os principais desafios estão a escassez de profissionais especializados, limitações de infraestrutura para conservação adequada do material biológico, digitalização incompleta dos acervos e dificuldades de sustentabilidade financeira.

No caso do Museu Goeldi, a coleção de mamíferos está sem curador desde 2025, após a aposentadoria de um pesquisador da instituição. Apesar disso, a instituição apresenta um diferencial importante: todos os dados do acervo estão digitalizados e grande parte das informações já se encontra disponível no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr).
A pesquisadora Alexandra Bezerra ressalta que o acesso ao material é mantido para cientistas do Brasil e do exterior, desde que sejam respeitados protocolos específicos de conservação. Por serem exemplares raros e delicados, as peças precisam ser manipuladas apenas por especialistas e para finalidades científicas claramente definidas.
Coleções científicas fortalecem conservação e educação
Os autores do estudo destacam que o fortalecimento das coleções científicas é estratégico para enfrentar problemas globais, como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e disseminação de doenças zoonóticas. Segundo Alexandra, muitos estudos sobre patógenos ainda deixam de preservar os chamados espécimes-testemunho, o que dificulta a identificação correta das espécies associadas às pesquisas.
Nesse contexto, iniciativas de divulgação científica e educação ambiental também ganham relevância. O Museu Goeldi promove anualmente o programa “Museu de Portas Abertas”, permitindo que a população conheça espaços científicos de forma gratuita e interativa, aproximando o público da importância da preservação da biodiversidade amazônica.
Outra ação recente da instituição foi a publicação de cartilhas educativas sobre seus bancos biológicos. Entre elas está o material dedicado à coleção mastozoológica, ampliando o acesso às informações sobre um dos mais importantes patrimônios científicos da Amazônia.
Referências em notícia
MCTI. Museu Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul. 2026
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