Fragmentação da vegetação nativa no Brasil cresceu 163% em 38 anos, aponta MapBiomas
Levantamento inédito revela aumento de 163% no número de fragmentos de vegetação nativa entre 1986 e 2023 e alerta para maior exposição dos biomas brasileiros à degradação ambiental.

A fragmentação da vegetação nativa no Brasil cresceu 163% nos últimos 38 anos, segundo dados inéditos divulgados pelo MapBiomas. Pela primeira vez, a iniciativa calculou a quantidade de fragmentos de vegetação remanescente no território nacional, que passaram de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023. O levantamento integra a atualização do módulo de Degradação do MapBiomas, disponível gratuitamente na plataforma da organização.
O estudo mostra que o avanço da fragmentação aumenta a vulnerabilidade dos ecossistemas brasileiros à degradação ambiental. Os pesquisadores analisaram fragmentos de vegetação a partir de meio hectare, considerando formações florestais, savânicas, campestres, áreas pantanosas e campos alagados mapeados pela Coleção 10.1 do MapBiomas.
A fragmentação ocorre quando áreas contínuas de vegetação nativa são divididas em porções menores e isoladas devido ao desmatamento provocado pela expansão agropecuária, urbanização, abertura de estradas e outras atividades humanas. Segundo os pesquisadores, quanto menores os fragmentos, maior a exposição a impactos ambientais e à perda de biodiversidade.
Redução do tamanho médio preocupa pesquisadores
Além do aumento no número de fragmentos, o levantamento identificou uma forte redução no tamanho médio dessas áreas. Em 1986, cada fragmento possuía, em média, 241 hectares. Em 2023, esse número caiu para 77 hectares, uma redução de 68% no período analisado.
O estudo também aponta que cerca de 5% da vegetação nativa brasileira, o equivalente a 26,7 milhões de hectares, está concentrada em pequenos fragmentos com menos de 250 hectares. A Mata Atlântica apresenta o cenário mais crítico: 28% da vegetação remanescente do bioma encontra-se nessa condição, somando cerca de 10 milhões de hectares.
Amazônia e Pantanal registram maior avanço da fragmentação
Todos os biomas brasileiros apresentaram aumento no número de fragmentos entre 1986 e 2023. O Pantanal lidera o ranking, com crescimento de 350%, seguido pela Amazônia, com 332%. Também houve alta expressiva no Pampa (285%), Cerrado (172%), Caatinga (90%) e Mata Atlântica (68%).

Mata Atlântica e Cerrado concentram atualmente o maior número absoluto de fragmentos de vegetação nativa, com aproximadamente 2,7 milhões cada. Segundo a coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, Natalia Crusco, o aumento dos fragmentos no Cerrado está ligado ao avanço do desmatamento, enquanto na Mata Atlântica também há influência da regeneração de vegetação secundária.
A Amazônia apresentou uma das maiores reduções no tamanho médio dos fragmentos. Em 1986, as áreas remanescentes possuíam média de 2.727 hectares. Em 2023, o número caiu para 492 hectares, redução de 82%. No Pantanal, a queda foi semelhante: de 1.394 hectares para 278 hectares no mesmo período.
Vegetação nativa sofre pressão crescente
Os dados do MapBiomas indicam ainda que até 24% da vegetação nativa do Brasil está exposta a pelo menos um vetor de degradação. Isso representa cerca de 134 milhões de hectares potencialmente afetados por fatores como fogo, corte seletivo de madeira, efeito de borda, fragmentação e distúrbios no dossel florestal.
Na Amazônia Legal, o levantamento identificou 24,9 milhões de hectares com sinais de distúrbio de dossel entre 1988 e 2024. O fenômeno ocorre quando a camada superior da floresta sofre alterações provocadas por secas, incêndios, ventos ou exploração madeireira, abrindo clareiras na cobertura vegetal.
Monitoramento orienta políticas públicas e conservação
O MapBiomas também detectou 9,7 milhões de hectares com indícios de corte seletivo de madeira na Amazônia Legal ao longo das últimas décadas. A maior concentração da atividade ocorre nos estados do Mato Grosso e Pará, responsáveis por mais de 83% dos registros identificados.
Segundo os pesquisadores, o monitoramento da degradação complementa os dados de desmatamento e pode orientar políticas públicas de conservação e restauração ambiental. O Brasil assumiu o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, meta prevista no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e reforçada em acordos internacionais.
A plataforma do MapBiomas permite consultas por estados, municípios, bacias hidrográficas e áreas protegidas, oferecendo subsídios para gestores públicos, pesquisadores e organizações ambientais. Para os especialistas, os dados são fundamentais para compreender o avanço da degradação e apoiar estratégias de preservação dos biomas brasileiros.
Referências de notícia
Imazon. MapBiomas: fragmentação da vegetação nativa cresceu 163% em 38 anos. 2026
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