Dinossauros e crocodilos: como fóssil inédito no Brasil ajuda a montar a árvore da vida do planeta

A descoberta preenche uma lacuna da evolução da vida no planeta, mostrando que ancestrais dos dinossauros e crocodilos habitavam a América do Sul e pertenciam a linhagens mais complexas e amplamente distribuídas do que se pensava.

Reconstrução do réptil que existiu no Brasil, cujos fósseis foram descobertos e divulgados em artigo recente. Ilustração: Matheus Fernandes Gadelha/Reprodução.
Reconstrução do réptil que existiu no Brasil, cujos fósseis foram descobertos e divulgados em artigo recente. Ilustração: Matheus Fernandes Gadelha/Reprodução.

A "Árvore da Vida" é o principal modelo conceitual da biologia evolutiva que representa a história genealógica de todos os seres vivos na Terra. E um artigo divulgado recentemente na revista científica Scientific Reports descreve um achado que preenche uma lacuna nesta linha evolutiva.

Um fóssil de réptil encontrado no interior do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, provou que os ancestrais dos dinossauros e crocodilos habitavam a América do Sul e pertenciam a linhagens mais complexas e amplamente distribuídas do que se imaginava anteriormente. Entenda melhor abaixo.

O fóssil encontrado

Após a maior extinção em massa da história da Terra, a Permo-Triássica, muito antes dos dinossauros dominarem o planeta e de surgirem os crocodilos atuais, os seus ancestrais já estavam em fase evolutiva.

E naquela época viveu uma espécie de réptil cujo fóssil foi descoberto no município de Dona Francisca, interior do estado do Rio Grande do Sul. Aliás, esta localidade é mundialmente reconhecida por preservar fósseis que antecedem os dinossauros datados do Período Triássico Médio.

Parte do fóssil ficou acidentalmente perdida por mais de duas décadas. Sua redescoberta permitiu a descrição do animal como uma nova espécie. Imagem: Rodrigo Muller.
Parte do fóssil ficou acidentalmente perdida por mais de duas décadas. Sua redescoberta permitiu a descrição do animal como uma nova espécie. Imagem: Rodrigo Muller.

O fóssil encontrado é de uma nova espécie, a qual foi batizada de Silescelida acristata e que viveu há cerca de 240 milhões de anos.

Sobre suas características, o Silescelida acristata era um réptil relativamente pequeno, de corpo esguio e locomoção quadrúpede. Seu tamanho pode ser comparado ao de um pequeno jacaré atual. Sua dieta provavelmente incluía animais menores.

A importância desta descoberta

O fóssil encontrado pode ter parentesco com os Euparkeriidae, um grupo raro de arcossauriformes (répteis que deram origem aos crocodilos, pterossauros e dinossauros) ainda pouco compreendido pela ciência. Até então, fósseis associados a esse grupo eram conhecidos nos continentes Africano, Asiático e Europeu.

Então, a descoberta sugere que esses répteis estavam mais espalhados pelo mundo durante o Triássico do que os registros fósseis indicavam, ampliando o papel do continente na diversificação inicial dos parentes dos dinossauros e crocodilos.

Além disso, a descoberta do fóssil no estado gaúcho reforça a região como uma das mais importantes do mundo para o estudo dos animais do Triássico. A região preserva fósseis de diferentes momentos da evolução dos vertebrados terrestres.

O estudo ainda confirma que a paleontologia brasileira continua contribuindo para entender capítulos importantes da história da vida na Terra.

Referência da notícia

Garcia, M. et al. (2026). A new eucrocopodan archosauriform from the Middle Triassic of southern Brazil and the phylogeny of Euparkeriidae.
Garcia, M. (2026). Fóssil de réptil encontrado no Brasil ajuda a entender a origem dos ancestrais de dinossauros e crocodilos.