Chuvas extremas podem chegar aos 300 mm no Sul do Brasil; confira as áreas em risco
Um cenário de alto risco meteorológico se forma sobre a Região Sul, com tempestades severas e chuva extrema no Rio Grande do Sul, devido à combinação entre um Rio Atmosférico, um Jato de Baixos Níveis e calor intenso.

Um cenário atmosférico de alto risco está se configurando sobre a Região Sul do Brasil e poderá provocar vários dias consecutivos de tempestades intensas a partir desta quinta-feira (16), especialmente no Rio Grande do Sul. Um dos principais fatores por trás desse episódio será o fortalecimento excepcional de um Jato de Baixos Níveis, cujos ventos podem superar 150 km/h nos próximos dias.
Ao mesmo tempo, o calor intenso aumentará a instabilidade atmosférica sobre essa região. Entre sexta-feira (17) e segunda-feira (20), as temperaturas podem superar 32°C em vários municípios da Região Sul. Na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), por exemplo, esse cenário poderá representar uma anomalia de até 15°C acima da média.

A combinação entre calor, umidade abundante e a atuação do Jato de Baixos Níveis criará condições favoráveis para a formação de tempestades intensas no Rio Grande do Sul a partir desta quinta-feira (16). Os temporais continuarão se formando até o domingo (19) e, potencialmente, vão persistir também ao longo da semana que vem.
Tempestades severas podem atingir o Sul por vários dias
O sábado (18) merece atenção especial. As previsões indicam elevado potencial para tempestades severas entre o sul do Rio Grande do Sul e o Uruguai, com risco de granizo, rajadas destrutivas de vento e microexplosões. Não se descarta a possibilidade de ocorrência de tornados.

Nos próximos dez dias, os acumulados totais de chuva podem atingir valores entre 200 e 300 mm em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná, sendo que o estado gaúcho será o mais afetado pelas chuvas intensas. Diante da intensidade prevista para este episódio, não se descarta a possibilidade de volumes ainda mais elevados em pontos localizados.
Isso traz riscos altos de cortes no fornecimento de energia elétrica; queda de galhos de árvores e tombamento de árvores, assim como de objetos altos; danos em estruturas, telhados e plantações devido ao granizo; transbordamento de rios; alagamentos; e também descargas elétricas (raios).
Modelo ECMWF sinaliza potencial para chuva extrema
Um dos indicadores utilizados para prever eventos meteorológicos extremos é o Índice de Previsão Extrema (EFI) do modelo numérico ECMWF. O produto compara a previsão atual com a climatologia e destaca áreas onde existe maior probabilidade de ocorrência de condições incomuns ou extremas.

Entre os dias 17 e 22 de julho, o EFI de precipitação destaca o Rio Grande do Sul e áreas vizinhas - incluindo partes de Santa Catarina, Uruguai e Argentina - com valores elevados, sinalizando um cenário favorável à ocorrência de volumes de chuva excepcionalmente altos.
Além disso, o EFI do índice de instabilidade atmosférica CAPE atingirá valores extremamente anômalos no Sábado (18). Na prática, isso significa que a atmosfera estará muito instável, sinalizando a possibilidade de formação de tempestades muito severas ao longo deste dia.
Não se descarta a possibilidade de que os impactos dessa configuração, ao longo da segunda quinzena de Julho, atinjam magnitudes próximas às das enchentes históricas de 2024. Isso justifica atenção redobrada por parte das autoridades locais, e ações para mitigar o risco de transbordamentos, inundações, deslizamentos de terra e outros eventos severos.