Carbono azul: porque proteger manguezais pode frear a crise climática
Estudo recente aponta que manguezais armazenam grandes quantidades de carbono por longos períodos e podem ser aliados estratégicos no combate às mudanças climáticas, mas degradação ameaça esse potencial natural.

Os manguezais vêm ganhando destaque no debate climático global por sua capacidade extraordinária de capturar e armazenar carbono. Conhecidos como ecossistemas de “carbono azul”, esses ambientes costeiros funcionam como verdadeiros sumidouros naturais, retirando dióxido de carbono da atmosfera e ajudando a reduzir o aquecimento global.
Um estudo científico publicado na revista Marine Pollution Bulletin reforça essa importância ao analisar o papel dos manguezais no sequestro de carbono, especialmente no solo. Os resultados indicam que grande parte desse carbono permanece armazenada por longos períodos, o que amplia o impacto positivo desses ecossistemas no equilíbrio climático.
Além disso, os pesquisadores destacam que os manguezais são particularmente eficientes porque acumulam carbono não apenas na vegetação, mas principalmente em seus solos ricos em matéria orgânica, onde ele pode permanecer por séculos.
Estoques naturais de carbono superam outras florestas
Os manguezais estão entre os ecossistemas mais eficientes do planeta na captura de carbono. Estima-se que eles possam armazenar até cinco vezes mais carbono do que florestas terrestres tradicionais, tornando-se uma ferramenta essencial para mitigar a crise climática.
De acordo com especialistas, um único hectare de manguezal pode armazenar centenas a milhares de toneladas de carbono, especialmente nas camadas profundas do solo. Essa capacidade transforma esses ecossistemas em verdadeiras “reservas climáticas naturais”.
Degradação ameaça liberar carbono armazenado
Apesar do potencial, os manguezais estão sob forte pressão. A expansão urbana, a poluição e a conversão de áreas para atividades econômicas têm provocado a perda acelerada desses ambientes em diversas regiões do mundo.

Quando degradados, esses ecossistemas deixam de capturar carbono e passam a liberar o que estava armazenado, agravando o efeito estufa. Estima-se que entre 1% e 3% da área global de manguezais seja perdida anualmente.
Além disso, a destruição desses ambientes compromete outros serviços essenciais, como a proteção contra erosão costeira, a manutenção da biodiversidade e o sustento de comunidades tradicionais que dependem da pesca e dos recursos naturais.
Solução baseada na natureza ganha força
Diante desse cenário, a proteção e restauração dos manguezais têm sido apontadas como soluções baseadas na natureza para enfrentar a crise climática. Projetos de reflorestamento e conservação vêm sendo implementados em diferentes países, com resultados promissores na captura de carbono e recuperação ambiental.
Especialistas defendem que políticas públicas e investimentos em carbono azul podem ampliar significativamente o papel desses ecossistemas nas estratégias climáticas globais. Além de reduzir emissões, essas iniciativas contribuem para a adaptação às mudanças climáticas, protegendo áreas costeiras vulneráveis.
O estudo reforça que preservar manguezais não é apenas uma questão ambiental, mas uma estratégia climática urgente. Em um cenário de aumento das emissões e eventos extremos, esses ecossistemas podem ser aliados decisivos para frear o avanço da crise climática — desde que sejam protegidos a tempo.
Referências da notícia
Elsevier. Artigo "Blue carbon stock heterogeneity in Brazilian mangrove forests: A systematic review". 2023
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