Por que a pirâmide egípcia de Quéops, tão longeva, resistiu ao teste do tempo, especialmente aos terremotos?
A Grande Pirâmide de Gizé, concluída durante o Antigo Império do Egito (2600-2450 a.C.), demonstra a maestria arquitetônica do antigo Egito faraônico.

Para compreender a longevidade estrutural e a resistência sísmica deste monumento icônico, foi realizado um estudo exaustivo do ruído ambiente, analisando a relação espectral horizontal-vertical (HVSR) em 37 pontos de medição distribuídos pelas câmaras internas da pirâmide, blocos de construção e terreno adjacente.
Descobertas cruciais na pirâmide
Em primeiro lugar, a pirâmide exibe frequências fundamentais uniformes (2,0-2,6 Hz) com uma média de ~2,3 Hz em todos os elementos estruturais, indicando uma homogeneidade excepcional em suas características dinâmicas.
Em segundo lugar, esta faixa de frequência difere significativamente da do solo circundante (~0,6 Hz), o que impede a amplificação da ressonância através da interação solo-estrutura, um mecanismo fundamental que protege o monumento durante a atividade sísmica.
Em terceiro lugar, a amplificação sísmica relativa aumenta sistematicamente com a elevação até 48,68 m, mas diminui substancialmente dentro das câmaras de alívio de pressão (48,86–61,07 m), demonstrando como sua geometria reduz ativamente a resposta sísmica. Por fim, a avaliação da vulnerabilidade sísmica da fundação subterrânea apresenta um valor baixo (kg = 8,2), confirmando excelente capacidade de carga e risco mínimo induzido por terremotos.
Outros aspectos notáveis
O baixo índice estimado de vulnerabilidade sísmica para os solos de fundação sugere que quaisquer terremotos futuros provavelmente causarão apenas danos limitados à estrutura principal da pirâmide. Essas descobertas apresentam evidências quantitativas convincentes de que os arquitetos do antigo Egito possuíam um profundo conhecimento geotécnico, otimizando o projeto da estrutura e a caracterização do local para garantir a estabilidade ao longo de milênios diante dos riscos sísmicos.
A pirâmide pode não ter sido projetada intencionalmente para resistir a um terremoto. Mas sua sobrevivência também não é por acaso.
Do ponto de vista da engenharia, oferece muitas vantagens: uma base larga, um centro de gravidade baixo, um formato cônico, uma planta simétrica, uma fundação sólida de calcário e uma estrutura de alvenaria robusta que permite a transferência de carga. É uma estrutura compacta, rígida e bem fundamentada, em vez de uma estrutura alta, esbelta e flexível.
A conclusão mais segura é que os construtores tomaram excelentes decisões de engenharia baseadas em evidências empíricas. Essas decisões podem ter sido motivadas por experiência em construção, observação, necessidade estrutural ou intenção cultural. Seus benefícios sísmicos podem ser reais, mesmo que não fossem o propósito original.
A sobrevivência da Grande Pirâmide não é milagrosa nem prova de um antigo projeto sísmico. Como evidência, este estudo é importante e impressionante, mas incompleto.
Referência da notícia
ELGabry, M., Hamed, A., Yoshimura, S. et al. Aspectos arquitectónicos y geotécnicos que afectan la resiliencia sísmica de la antigua pirámide egipcia de Keops. Sci Rep 16 , 14032 (2026). https://doi.org/10.1038/s41598-026-49962-6
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