A sexta extinção em massa já começou

O planeta tem sofrido nos últimos séculos uma grande redução de biodiversidade e há evidências de que já estamos vivendo um evento de extinção em massa. Mudanças climáticas, poluição e mau uso dos recursos naturais são os responsáveis.

Carolina Barnez Carolina Barnez 25 Abr. 2019 - 12:05 UTC
Há evidências de que já estamos vivendo o sexto evento de extinção em massa da Terra.

Segunda (22) foi "dia da Terra" e um dos temas em pauta foi a redução de biodiversidade que o planeta tem sofrido nos últimos séculos. Mais do que uma simples "perda" de espécies, há evidências de que estamos vivendo uma nova extinção em massa. Esta seria a 6ª da história da Terra, mas a primeira a ter o homem como protagonista, já que as mudanças climáticas, poluição e mau manejo dos recursos naturais são listados como grandes desencadeadores desse evento.

Desde o surgimento de vida na Terra novas espécies evoluem para se ajustarem a novos nichos ecológicos, enquanto espécies "mais velhas" desaparecem. No entanto, em algumas situações a taxa de "desaparecimento" de espécies supera muito a de "surgimento". Os paleontólogos definem uma extinção em massa quando a Terra perde mais que 3/4 de suas espécies em um espaço de tempo geológico curto.

A Terra teve pelo menos 5 extinções em massa nos últimos 540 milhões de anos, desencadeadas por eventos tectônicos, erupções vulcânicas e queda de meteoros, que provocaram alterações importantes na atmosfera e oceano. A maior delas foi a extinção do Permiano-Triássico que acabou com 96% das espécies existentes há 251 milhões de anos atrás. A mais recente foi a do Cretáceo-Paleógeno, que ocorreu há cerca de 65,5 milhões de anos e baniu os dinossauros da face da Terra.

Dados do artigo de Ceballos e colaboradores de 2015 na Science Advances. Créditos na imagem.

Agora, está acontecendo de novo. Um estudo de 2015 publicado na Science Advances veio confirmar uma suspeita já levantada há algum tempo: a 6a. extinção em massa já começou. Esse trabalho estimou as taxas reais de redução na população de vertebrados e constatou que a perda média de espécies no último século é 100 vezes maior do que o considerado normal.

Outros estudos mais recentes reforçam as evidências, como um artigo da PNAS de 2017, que mostra que até espécies consideradas fora de perigo estão sofrendo reduções alarmante em sua população. Os autores deste trabalho chamam este evento de "aniquilação biológica" e mostram que já existe comprometimentos sérios no funcionamento dos ecossistemas devido a diminuição da biodiversidade. Quando questionado pelo uso do termo "aniquilação" o Prof. Gerardo Ceballos, autor principal do trabalho, fala que "a situação se tornou tão ruim que não seria ético não usar uma linguagem forte” [The Guardian].

Qual é a importância da biodiversidade?

Não existe apenas um apelo moral e ético na conservação da biodiversidade do planeta. A redução de espécies prejudica o funcionamento dos ecossistemas, responsáveis pela renovação de recursos, manutenção do clima e outros produtos. Os chamados serviços ecossistêmicos são fundamentais para o homem, mesmo em um mundo dominado pela tecnologia. Ecossistemas saudáveis são peças chave nos ciclos da água, dos gases (incluindo oxigênio), dos nutrientes e de outros recursos usados por nós.

Reverter essa dramática queda de biodiversidade ainda pode ser possível através de um de esforços de conservação intensos - no entanto a janela de oportunidades está se fechando rapidamente.

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