Flashes cósmicos misteriosos podem ser causados por colisões de estrelas mortas
Astrônomos encontraram evidências de que alguns flashes de raios X que duram vários minutos podem estar relacionados a colisões entre estrelas de nêutrons. Até agora, essas fusões eram identificadas principalmente por explosões de raios gama.

Há várias décadas, astrônomos observam flashes de alta energia que aparecem no céu por períodos que vão de segundos a vários minutos. Esses eventos apresentam diferentes durações, espectros e intensidades, mas parte deles ainda não se sabe exatamente qual é a origem deles.
Entre as hipóteses consideradas estão diferentes processos associados à morte de estrelas, à atividade de buracos negros e a objetos densos, como estrelas de nêutrons. Alguns flashes podem estar relacionados a explosões estelares ou eventos de acreção, enquanto outros podem envolver interações entre objetos compactos.
Agora, pesquisadores encontraram evidências de que parte desses flashes misteriosos de raios X pode estar associada à fusão de estrelas de nêutrons. Colisões desse tipo são conhecidas por produzir explosões de raios gama muito breves, mas também podem gerar emissão de raios X com duração de vários minutos.
Raios-X misteriosos
Astrônomos observam há décadas flashes de raios X cuja origem não é completamente explicada. Esses eventos transientes podem durar de segundos a vários minutos e apresentam diferentes características. Embora parte dessas emissões possa ser associada a fenômenos já conhecidos, alguns sinais não se encaixam claramente.
Entre os possíveis mecanismos estão explosões relacionadas à morte de estrelas, processos de acreção em torno de buracos negros e eventos envolvendo estrelas de nêutrons. Novos estudos indicam que algumas dessas fontes podem estar associadas a fusões de estrelas de nêutrons.
Por que raios-X?
Os raios X são uma das principais assinaturas de processos astrofísicos de alta energia porque são produzidos por matéria extremamente quente, campos magnéticos intensos e partículas aceleradas a velocidades próximas à da luz. Alguns eventos podem liberar enormes quantidades de energia em intervalos muito curtos.

Além disso, a emissão em raios X pode variar rapidamente, isso fornece informações sobre a evolução temporal de fenômenos transientes. A intensidade, o espectro e a duração dessa radiação ajudam a determinar a temperatura, a composição e os mecanismos físicos envolvidos no evento.
Nova observação
Um caso recente e particularmente relevante é o evento EP250704a/GRB 250704B, detectado em 4 de julho de 2025 pelos satélites SVOM, Insight-HXMT e Einstein Probe. A explosão de raios gama durou cerca de 0,5 segundo, enquanto o Einstein Probe registrou uma emissão intensa de raios X durante quase 10 minutos.
O evento foi acompanhado posteriormente com o Very Large Telescope (VLT), no Chile. Segundo os pesquisadores, trata-se do flash de raios X de maior duração já observado associado a uma fusão de estrelas de nêutrons. A observação oferece uma oportunidade para investigar como a energia é convertida nos primeiros minutos após o evento.
Descoberta
Com o VLT, os pesquisadores decomporam a luz do evento em diferentes comprimentos de onda e identificaram seu redshift com 0,6610. Esse valor indica que a explosão ocorreu há mais de 6 bilhões de anos, muito antes da formação do Sistema Solar, e que sua luz levou esse período para chegar à Terra.

A equipe também procurou uma supernova associada ao evento. Nenhuma foi identificada, o que enfraquece a hipótese de que o flash de raios X tenha sido produzido pelo colapso de uma estrela massiva. Combinada as propriedades da emissão, a ausência de uma supernova fornece evidências de que o evento foi uma fusão de duas estrelas de nêutrons.
Referência da notícia
Li et al. (2026). Minutes-long soft X-ray prompt emission from a compact object merger.